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quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Quem tem inveja de Fernanda Torres?
Todo mundo sabe que a inveja é uma m... E o quarto episódio de As Cariocas só não foi pior do que os anteriores porque Fernanda Torres estava simplesmente maravilhosa. A atriz arrasou no papel de Cris, A Invejosa de Ipanema. Deu gosto de vê-la interpretar, com muito humor, uma alpinista social, casada com um velho rico (Luis Gustavo) e amante de um cirurgião plástico (Guilherme Fontes) que exige ter tudo o que a mulher do amante ganha. Fernanda carregou o programa nas costas. Até porque a história foi bem fraquinha, boba – o que vem se tornando um ponto negativo da série. A sorte dos autores e diretores é que a atriz estava inspirada, como naqueles melhores dias de Os Normais, e salvou mais uma trama sem pé nem cabeça – Cris tenta usar o marido e o amante para conseguir seu sonho de consumo, a Ferrari amarela do playboy Chiquinho (Rafael Primo), mas o plano dela acaba dando errado. A produção e a direção tiveram o padrão de qualidade de sempre, mas a narração de Daniel Filho, destaque desde a estreia, desta vez perdeu um pouco do brilho devido ao texto. Se a intenção era pontuar a história com piadinhas, as frases deixaram a desejar: “Quando (Cris) declara que perdeu a graça, é sempre uma desgraça para a conta bancária de alguém”, “Como todo Pelé do bisturi, Luis Fernando tinha, ao lado do consultório, um cafofo para fazer suas intervenções sem fins lucrativos”, “Cris representa tão bem que, se entrasse para a política, seria senadora da república”, “Chiquinho se achava mais gostoso que Zé Mayer em novela de Manoel Carlos”. Alguma graça?
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
A Vingativa do Méier valeu pelo elenco
Que homem bem casado se tranca num quartinho de casa para se dedicar à prática do prazer solitário, folheando uma revista masculina? Ou espiando a vizinha sensual por um buraco na parede? Fica difícil acreditar, se esse sujeito vive no século 21 e tem uma mulher linda e fogosa, como Celi (Adriana Esteves), ou melhor, A Vingativa do Méier, do segundo episódio de As Cariocas. Nesse caso, a falta de verossimilhança da história não é responsabilidade de Sérgio Porto, em cuja obra, datada, a série da Globo é inspirada. O episódio em questão não faz parte dos seis contos originais do jornalista e escritor carioca, embora o texto de Euclides Marinho tente manter o espírito gaiato do autor. Na verdade, se encarada tão somente como obra de ficção, a trama foi bem mais divertida do que a do episódio de estreia. Uma boa comédia romântica, com direção, cenários e fotografia impecáveis. Mas o que salvou o enredo pouco crível foi o desempenho do elenco. Adriana Esteves deu show como Celi, a professora primária que se sente traída pelo marido e resolve se vingar. Nascida no Méier, a atriz tirou de letra o jeito suburbano da personagem, e encontrou em Aílton Graça, o Djalma, um parceiro à altura para bater bola. Também estiveram muito bem Bárbara Paz, como a vizinha espiada, e o casal Agildo Ribeiro e Myrian Persia, pais da protagonista. Aliás, um dos grandes trunfos do programa é resgatar veteranos maravilhosos.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Nudez de Alinne em contexto machista
Para o jornalista e escritor carioca Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, cada bairro do Rio tinha um tipo específico de mulher. A ideia é totalmente discutível e até machista, mas deu origem a um dos livros mais cultuados do autor, As Cariocas, no qual descreve, com humor sarcástico, a sensualidade das garotas de acordo com o local onde moram. Inspirada na obra do autor, a série As Cariocas estreou na Globo com o episódio A Noiva do Catete, protagonizado por Alinne Moraes. A adaptação de Euclydes Marinhos trouxe a história, datada, para os dias de hoje. Mas poderia ter sido produzida como episódio de época. Afinal, os contos foram escritos quando os padrões morais eram mais rígidos, e o que era "picante" nos anos 60, hoje em dia é encarado quase como algo banal. O primeiro episódio foi meia-bomba, apesar de Alinne Moraes ter mostrado calcinha e seios em cenas de nudez - o que por si só já faria subir a temperatura da trama. Não subiu... Pra mim, a atriz não convenceu no papel de mulher fatal e devoradora de homens. Mas o episódio teve coisas interessantes, como a produção, a direção, a cenografia, com o padrão Globo de sempre. O tom "Stanislawisco" e divertido da história ficou por conta da narração (na voz de Daniel Filho, diretor da série), com frases como "Mulher que fala feito criança, geralmente costura pra fora" ou "Se mulher fosse fácil, o diabo não teria chifres". Engraçadinhas, mas ordinárias - numa brincadeira com Nelson Rodrigues, que pareceu fazer parceria com Sérgio Porto o tempo todo.
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