O remake de uma novela dificilmente supera o original. Com a versão de O Astro, adaptada por Geraldo Carneiro e Alcides Nogueira da obra de Janete Clair, não foi diferente. A produção teve qualidades, sim, mas pecou na reta final, quando as cenas foram tão picotadas que mais pareciam uma colagem de videoclipe. A impressão foi de que os autores tiveram que correr muito com os desfechos porque não havia mais tempo para desenvolvê-los. Em alguns momentos, essa rapidez atrapalhou a amarração e compreensão da trama. Mas nada se compara aos surpreendentes penúltimo e último capítulos. A transformação de Herculano Quintanilha (Rodrigo Lombardi) em uma pomba foi um dos momentos mais ridículos da TV brasileira este ano. A desculpa do realismo fantástico - só porque o bruxo passou a novela inteira fazendo pequenos truques - não cola. Fiquei com a sensação de estar assistindo a outra novela: Os Mutantes, na qual todos os personagens viravam bicho. Qualquer referência à Saramandaia (1976, de Dias Gomes) é uma triste e infeliz comparação.
O final foi ainda mais risível. O que foi aquele circo armado pelo delegado paspalhão vivido por Daniel Dantas para revelar o assassino de Salomão Hayalla (Daniel Filho)? Para morrer, o ricaço precisou ser dopado pelo mordomo, levar uma coronhada do irmão e só depois ser empurrado janela abaixo por Clô (Regina Duarte). OK, valeu pela homenagem a Regina, que mesmo abusando das caras e bocas teve bons momentos na trama - até porque, desde o início, a novela não mostrou compromisso algum com o tom naturalista. Mas não deu pra engolir a prova recolhida contra a perua: além do tufo de cabelo retirado das mãos do morto, um botão de plástico que caiu da roupa de luxo dela! O estilista da personagem devia ser um vanguardista da moda. Mais patéticas ainda foram a prisão de Samir (Marco Ricca) e a morte de Neco (Humberto Martins), apesar de seus respectivos intérpretes terem feito ótimo trabalho. Já o suicídio de Magda (Rosamaria Murtinho) teve um toque poético. O desfecho de Herculano teve a pressa que marcou os últimos capítulos. Depois de forjar a própria morte - numa cena ambígua -, o astro aparece numa ilha deserta com Amanda (Carolina Ferraz) e o filho, a quem ensina seus truques. Final digno de um bruxo de meia tigela.
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segunda-feira, 31 de outubro de 2011
sábado, 9 de abril de 2011
Uma decepção o primeiro episódio de Lara com Z
Ainda estou tentando digerir a estreia de Lara com Z. Mas a primeira conclusão (meio óbvia) a que chego após assistir ao primeiro episódio é: Susana Vieira não interpreta mais personagens; a "diva" faz ela mesma há tempos! A série, escrita por Aguinaldo Silva especialmente para Susana, só reforça essa certeza - Lara Romero é Susana Vieira vista com lente de aumento. Exagerada e intensa como ela só, a atriz não deixa nada pra ninguém nas cenas. A propósito, foi patética a sequência em que Lara vai ao banheiro masculino da plateia - porque os outros estavam ocupados - e ouve o personagem de Humberto Martins recitando um trecho da peça Macbeth, enquanto urinava. Aliás, não dava para entender muito bem o que Humberto dizia. Além de bobalhão, ele era gago? Se a intenção era fazer humor, o resultado foi desastroso.
Outras cenas também causaram constrangimento: no que seria uma comédia, Lara joga toda sua "dramaticidade" diante do espelho, dizendo que não quer envelhecer; o triste papel de Guilherme Weber, bêbado e pelado numa praia; e Lara no alto do teatro, desabafando que não poderia mais trabalhar quando ninguém, lá embaixo, sabia sobre a intimação que recebera do personagem de Humberto Martins.
E a abertura? O rosto de Susana no corpo de pin-ups, ao som de "eu sei que eu sou bonita e gostosa...", foi, no mínimo, nonsense...
A história deixou a desejar, foi confusa. Quem não assistiu ao seriado Cinquentinha, no qual Lara com Z é inspirado, não conseguiu entender a trama, que deveria ter sido melhor explicada. O autor deixou sua marca no texto com expressões das antigas como tapona, patuleia e lesco-lesco. E no diálogo entre Wolf Maya e Lara, puxou a brasa pra sua sardinha: o diretor diz que a diva não está fazendo vilã de novela, mas sim Lady Macbeth, e ela responde que as vilãs têm 40 milhões de fãs, enquanto o texto difícil de Macbeth não consegue lotar um teatro.
Em tempo: o que era o figurino de Eliane Giardini? Parecia que a atriz estava pronta para ir ao baile de Carnaval do Copa.
Outras cenas também causaram constrangimento: no que seria uma comédia, Lara joga toda sua "dramaticidade" diante do espelho, dizendo que não quer envelhecer; o triste papel de Guilherme Weber, bêbado e pelado numa praia; e Lara no alto do teatro, desabafando que não poderia mais trabalhar quando ninguém, lá embaixo, sabia sobre a intimação que recebera do personagem de Humberto Martins.
E a abertura? O rosto de Susana no corpo de pin-ups, ao som de "eu sei que eu sou bonita e gostosa...", foi, no mínimo, nonsense...
A história deixou a desejar, foi confusa. Quem não assistiu ao seriado Cinquentinha, no qual Lara com Z é inspirado, não conseguiu entender a trama, que deveria ter sido melhor explicada. O autor deixou sua marca no texto com expressões das antigas como tapona, patuleia e lesco-lesco. E no diálogo entre Wolf Maya e Lara, puxou a brasa pra sua sardinha: o diretor diz que a diva não está fazendo vilã de novela, mas sim Lady Macbeth, e ela responde que as vilãs têm 40 milhões de fãs, enquanto o texto difícil de Macbeth não consegue lotar um teatro.
Em tempo: o que era o figurino de Eliane Giardini? Parecia que a atriz estava pronta para ir ao baile de Carnaval do Copa.
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