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terça-feira, 23 de agosto de 2011

Muita estampa para pouca finesse

Quando o ambicioso Antenor (Caio Castro) esculachou a mãe, Griselda (Lilia Cabral), na estreia de Fina Estampa, pensei estar assistindo a uma versão da novela das sete. A trama é a mesma de Morde e Assopra, em que o filho metido a besta, Guilherme (Klebber Toledo), tem vergonha da mãe batalhadora e sem estudo, Dulce (Cássia Kiss). Se os personagens trocassem de folhetim, daria no mesmo. Mas este é apenas um dos muitos clichês da nova novela das nove: tem ainda a mulher que apanha do marido - Celeste (Dira Paes) e Baltazar (Alexandre Nero) -, e a dondoca rica, Tereza Cristina (Chrtistiane Torloni), que gosta de humilhar os empregados por puro prazer. Vai ser duro acompanhar 180 capítulos com Torloni gritando e dando chiliques. Sem falar que a personagem é parecida com outras que a atriz já fez, como a histérica Melissa, de Caminho das Índias. Para enfatizar o jeitão masculino de Griselda, a 'marido de aluguel', vulgo Pereirão, a turma do figurino e da caracterização abusou do estereótipo. Sorte de Lilia Cabral que não vai vestir macacão nem carregar caixas de ferramenta por muito tempo, já que a protagonista vai ganhar na loteria e tomar um banho de loja - olha aí outro clichê: o patinho feio que vira cisne! A abertura é de doer: tem cara de comercial de perfume com música ruim.

sábado, 9 de abril de 2011

Uma decepção o primeiro episódio de Lara com Z

Ainda estou tentando digerir a estreia de Lara com Z. Mas a primeira conclusão (meio óbvia) a que chego após assistir ao primeiro episódio é: Susana Vieira não interpreta mais personagens; a "diva" faz ela mesma há tempos! A série, escrita por Aguinaldo Silva especialmente para Susana, só reforça essa certeza - Lara Romero é Susana Vieira vista com lente de aumento. Exagerada e intensa como ela só, a atriz não deixa nada pra ninguém nas cenas. A propósito, foi patética a sequência em que Lara vai ao banheiro masculino da plateia - porque os outros estavam ocupados - e ouve o personagem de Humberto Martins recitando um trecho da peça Macbeth, enquanto urinava. Aliás, não dava para entender muito bem o que Humberto dizia. Além de bobalhão, ele era gago? Se a intenção era fazer humor, o resultado foi desastroso.
Outras cenas também causaram constrangimento: no que seria uma comédia, Lara joga toda sua "dramaticidade" diante do espelho, dizendo que não quer envelhecer; o triste papel de Guilherme Weber, bêbado e pelado numa praia; e Lara no alto do teatro, desabafando que não poderia mais trabalhar quando ninguém, lá embaixo, sabia sobre a intimação que recebera do personagem de Humberto Martins.
E a abertura? O rosto de Susana no corpo de pin-ups, ao som de "eu sei que eu sou bonita e gostosa...", foi, no mínimo, nonsense...
A história deixou a desejar, foi confusa. Quem não assistiu ao seriado Cinquentinha, no qual Lara com Z é inspirado, não conseguiu entender a trama, que deveria ter sido melhor explicada. O autor deixou sua marca no texto com expressões das antigas como tapona, patuleia e lesco-lesco. E no diálogo entre Wolf Maya e Lara, puxou a brasa pra sua sardinha: o diretor diz que a diva não está fazendo vilã de novela, mas sim Lady Macbeth, e ela responde que as vilãs têm 40 milhões de fãs, enquanto o texto difícil de Macbeth não consegue lotar um teatro.
Em tempo: o que era o figurino de Eliane Giardini? Parecia que a atriz estava pronta para ir ao baile de Carnaval do Copa.