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domingo, 24 de maio de 2015

Jurados do 'MasterChef' pegam ainda mais pesado com os participantes na segunda temporada

Rio - Se depender dos jurados Erick Jacquin, Henrique Fogaça e Paola Carosella, a pressão vai subir na cozinha do ‘MasterChef’. Responsáveis por avaliar os pratos dos 18 participantes da segunda temporada do reality de culinária, que estreia hoje, às 22h30, na Band, o trio de chefs garante estar ainda mais exigente do que na primeira edição — quando os três dispararam frases duras contra os candidatos — e deixa claro que o dia a dia de seus restaurantes não é muito diferente. 

“Sempre fui mau. Quem acompanha meu trabalho sabe que já disseram que eu sou louco, que xingo, que jogo pratos... Já mandei cliente embora do meu restaurante por pedir algo que eu não sabia fazer. Por que vou cozinhar para um idiota? Esse é o poder do chef”, diz o francês Erick Jacquin, admitindo que a dureza com os candidatos é reflexo de anos de trabalho na cozinha do La Brasserie, que fechou as portas no fim de 2013. “Profissionalmente, eu era muito pior do que no programa.”

Dono do restaurante Sal Gastronomia, Henrique Fogaça tem a fama de ser o mais durão entre os jurados. Com seus funcionários, o chef paulista age com o mesmo rigor. “Quando alguém começa a fazer estágio no meu restaurante, eu falo sobre horário e nunca faltar. Só pode faltar se morrer alguém da família ou se amputar algum membro do corpo. Dor de barriga, unha encravada, dor de ouvido, para mim não funciona”, conta ele, ressaltando que a cozinha não é lugar para os fracos. “Se vacilar ou faltar, eu já elimino.”

A argentina Paola Carosella garante que na cozinha de seus restaurantes, Arturito e La Guapa, não tem gritos nem insultos, mas existe muita disciplina. “Trabalho com pessoas calmas por natureza, que conseguem segurar a pressão”, diz ela, que não acha que já tenha extrapolado com algum participante do reality. “Rigorosa demais é quando você pede de uma pessoa algo que ela não pode dar e quando você machuca. Isso é rigor demais. Uma exigência dentro dos limites da capacidade do outro é nutritiva, é como você educa.”

No momento de avaliar os pratos dos chefs amadores, os jurados fazem cara de quem comeu e não gostou. Rola uma encenação. Mas nem sempre eles conseguem disfarçar o que sentem ou veem. “Às vezes, eu olho o prato e já sei que é uma merda...Mas vou tentar. E tem coisa que surpreende”, revela Jacquin, acrescentando que o visual da comida é importante. Já Fogaça entrega que faz parte do suspense a cara indecifrável: “Não dá para comer e falar: ‘Nossa, que bom!’. Eu olho para o cara, volto para o meu lugar e penso no que vou falar. Mas não é programado.”

A apresentadora Ana Paula Padrão diz que os jurados só têm contato com os participantes na hora das provas. Por isso, não se envolvem tanto emocionalmente com eles. “Eu tenho mais esse papel, porque vou à casa deles, converso com as famílias, mas não passo isso para os jurados para não contaminá-los”, esclarece. Mesmo assim, Fogaça confessa ter ficado triste com a eliminação de dois candidatos na primeira temporada. “Sou muito sensível e emotivo, mas não deixo isso interferir no trabalho. O que vale é a comida”, diz.

A repercussão da primeira temporada deixou os chefs surpresos. A dificuldade de ser compreendido pelo sotaque transformou Jacquin em alvo de críticas e piadas na internet. “Se começar a falar bem o português, vou precisar baixar meu cachê! Importado é mais caro. Acho muito chique ter legenda”, brinca o francês, que viu sua popularidade crescer. “Adoro. Estou sendo mais procurado para dar consultoria e fazer palestras.”

O aumento do movimento nos restaurantes de Fogaça e Paola veio junto com comentários nas redes sociais. “Tem gente que fala merda, aí eu excluo”, conta o chef tatuado, que recebe até foto de mulher pelada: “Eu dou risada. Às vezes, faço um comentário, mas não tenho muito tempo... Minha mulher não gosta (risos). Você vai para a TV e fica bonito, não sei o que acontece.”



Publicado em 19/05/2015 – O DIA

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Danilo Gentili: "Todo mundo odeia ter um vizinho chato. Eu sou esse chato"

Rio - Quando estreou o seu ‘late show’ em 2011, Danilo Gentili foi alvo de críticas e comparações. Dois anos depois, o ex-integrante do ‘CQC’ comemora mais uma temporada do ‘Agora É Tarde’, que se consolidou como um dos principais programas da Band, alcançando muitas vezes a vice-liderança de audiência, de terça a sexta-feira, à meia-noite. “Temos o programa de entrevistas mais doentio e maluco da TV aberta brasileira”, exagera. Apesar de sondado por outras emissoras, como o SBT, Danilo resiste: “Se minhas escolhas fossem baseadas em dinheiro, estaria numa situação de carreira e prazer no trabalho muito pior do que estou hoje, embora estivesse mais rico”.

O DIA: Quando você estreou, há dois anos, esperava chegar tão longe?
Danilo Gentili:Eu nunca tenho essa visão tão ampla, porque nunca enxergo o fim do caminho, apenas onde vou pisar para dar o próximo passo.

Qual o balanço do programa? Como você o define hoje?
Acho que, orgulhosamente, posso afirmar que temos o programa de entrevistas mais doentio e maluco da televisão aberta brasileira.

O que você destaca de mais positivo nesses dois anos? 
O relacionamento de todo o elenco (os comediantes Marcelo Mansfield, Léo Lins e Murilo Couto, a assistente de palco Juliana Oliveira e a banda Ultraje a Rigor) e da equipe. Nunca brigamos, nunca entramos um dia chateados uns com os outros. O clima é de amizade e acho que, por isso, o programa agrada tanto às pessoas.

E o que acha que ainda precisa ser melhorado? 
Meu cabelo. Ninguém acerta o corte dele.

Que nota você se daria como apresentador? 
Nota 0 pelo cabelo. Nota 0 pela postura. Nota 0 pelo português. Nota 0 pelas perguntas. Nota 0 pelas piadas. Pela minhas contas, acho que ficamos no 0 a 0.

Hoje, você se considera mais apresentador ou comediante? 
Eu sou mais um cara desesperado que odeia trabalhar e, por isso, trabalha todos os dias para nunca precisar voltar a trabalhar.

Tem noção de que está incomodando a concorrência? Como lida com isso? 
Eu acho que incomodo a concorrência, sim. Todo mundo odeia ter um vizinho chato. Eu sou esse chato.

Você foi sondado pelo SBT? Trocaria de emissora por uma boa proposta salarial ou está satisfeito na Band?
Desde quando eu não tinha dinheiro, jamais aceitei qualquer proposta de trabalho na TV pelo dinheiro. Antes do ‘CQC’, tinha sido sondado por outro canal e programa. Depois do ‘CQC’, fui sondado por outros canais que, na época, me fariam ganhar mais do que ganho hoje como criador e apresentador do ‘Agora É Tarde’. Porém, jamais me baseei em salário para qualquer decisão. Onde eu tiver mais liberdade para fazer o que acho divertido e onde o clima no bastidor for melhor, é esse o lugar onde quero trabalhar.

A propósito, você tem bom salário? Quanto ganha? Acha que dinheiro não é tudo mas ajuda muito?
Dinheiro ajuda, principalmente quando você saiu de um cortiço e de um quarto-sala no subúrbio de Santo André (em São Paulo). Porém, se minhas escolhas fossem baseadas em dinheiro, eu estaria numa situação de carreira e prazer no trabalho muito pior do que estou hoje, embora estivesse mais rico.

Qual a pior gafe que cometeu nesses dois anos? Com quem?
São tantas... Não caberia nesse jornal inteiro se eu dissesse.

Qual a melhor entrevista? E por quê? 
A melhor entrevista é sempre a do dia, porque sempre pensamos passo a passo, tijolo por tijolo do muro. A cada dia, preparamos uma surpresa ou tentamos tirar uma resposta, ou criar um momento ímpar dentro do programa e da história do convidado. Então, seja anônimo ou superfamoso, homem ou mulher, padre ou ator pornô: se a pessoa sentar no nosso sofá, trabalharemos para criar a melhor entrevista possível do dia.

E qual foi a pior?
Se algum dia teve uma entrevista ruim no programa... Agora é tarde.


Publicado em 10/07/2013 - O DIA

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

MARACUTAIA NO MISS UNIVERSO 2012


Sou de um tempo em que a família sentava-se em torno da TV para assistir ao Miss Universo. Era programão. Cada um tinha sua candidata, eu marcava pontos fictícios num caderno avaliando os quesitos beleza, desfile, roupa típica e por aí ia. Quase sempre acertava ou ficava ali pelo segundo lugar. E as locações, então? Os lugares mais maravilhosos  do mundo faziam os telespectadores viajarem sem sair da poltrona. Fora a profusão de prêmios maravilhosos - e a coroa reluzente? -, shows com os melhores cantores do momento, e muito, muito glamour.
Só que às vésperas do fim do mundo, vemos Donald Trump vestido de Papai Noel, num salão em Las Vegas (EUA), abrindo o Miss Universo 2012. No estúdio da Band, Adriane Galisteu já não sabia mais o que falar - esperando entrar o link do concurso - com seus dois "convidados especiais", o stylist Raphael Mendonça ("que veste várias famosas") e a Miss Rio Janeiro deste ano e noiva do cantor Latino, Rayanne Moraes.
Numa entrada rapidíssima as 89 candidatas, vestidas como típicas periguetes brasileiras, não deram nem tempo de observarmos sua beleza. No telão, atrás das beldades, imagens repetitivas de neve; no palco, árvores de Natal, daquelas que vendem nas Lojas Americanas, e muitas caixas - vazias - de presentes. As candidatas saíram quase correndo. Corta. Galisteu no palco brasileiro diz que, após os comerciais, virão as 16 finalistas. Peraí! De 89 para 16? Sem desfile, sem biquíni, sem longo, sem nada? Isso mesmo! Vontade de desistir, mas vamos em frente: quem sabe o Brasil não faz bonito?
No bloco seguinte sai o resultado: Venezuela, Turquia , França. Peru, Russia (que faz coleção de ursos de pelúcia), Mexico (quer construir edifícios ecológicos), Polônia, Hungria (organizadora de casamentos), Africa do Sul (quer escrever um livro com sua mãe), Filipinas, Croácia, Brasil (eh!!!), Kosovo (quer ser diretora de filmes de horror), Austrália, Índia e USA (mais ovacionada, claro). Tem para todos os gostos.
E lá vêm elas de biquíni - com uma estampa horrorosa, pareciam comprados em liquidação do Saara -, todas com algo em comum: magérrimas. Aquela história de 90 de busto, 60 de cintura, e 90 de quadril já foi pro espaço há tempos. Agora, pra ser Miss Universo tem que mostrar busto com silicone, nenhum quadril, e pernas de saracura. E todas no carão - com aqueles penteados cafonas que só os americanos conseguem idealizar.
Aos trancos e barrancos, a brasileira Gabriela Markus chegou entre as dez finalistas: Austrália, Rússia, Brasil, França, Venezuela, EUA, Hungria, África do Sul, México e Filipinas. Vem a apresentação do grupo Train - mais sem graça, impossível-, num cenário que mistura o antigo Cassino do Chacrinha com Geração 80. E as candidatas nos seus longos sereias, exagerados nas fendas, nos cristais e no clima pré-carnavalesco.
Depois que indicaram as cinco finalistas - Venezuela, Filipinas, Austrália, EUA e Brasil -, Adriane Galisteu, do estúdio, gritou um: "Vai Brasil! Brasil!". Só faltou o coro de Galvão Bueno.
O sempre melhor momento é o das perguntas. Miss Venezuela, peguntada se formularia alguma nova lei, não teve dúvida: "Qualquer lei já foi feita, basta ter retidão e cumpri-la. Eu sou surfista e a melhor coisa a fazer nas ondas é esperar por elas. Isso se aplica às leis". Como??? Bom, à brasileira uma pergunta preconceituosa ao extremo, "se uma mulher que anda de biquíni por aí é considerada um objeto sexual". Falando em português (ponto a menos...), Gabriela respondeu que não é a forma de se vestir que mostra o caráter. E derrapou na conclusão: "Temos que mostrar às pessoas quem somos internamente em nossos corações". Ai, Jesus!
Galisteu que era Gabriela Markus desde o início, já mandou: "Acho que o Brasil fica entre as três". Nada disso, ficamos em quinto! E a ganhadora foi a baixinha, sem carisma, sem graça, do vestido mais feio de todos... Miss EUA! Para regozijo de Donald Trump, mostrado em pé, na plateia, aos risos! Maracutaia total!
Só posso reproduzir as palavras de Galisteu: "Gente, tô passada!". É, infelizmente, já não se fazem mais misses como antigamente... (SM)

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Band põe mordaça em Rafinha

Rafinha Bastos está pagando pela língua. Suspenso do CQC, o humorista vai ter tempo para refletir sobre as piadas de mau gosto que disse no programa. Não dá para achar graça de comentários infelizes como o que ele fez sobre a gravidez da cantora Wanessa Camargo: "Eu comeria ela e o bebê". Quando chamou de cadela a apresentadora Daniela Albuquerque, da RedeTV!, Rafinha já havia passado dos limites. A retratação pública ficou barato. Agora, a punição aplicada pela Band é vista como censura por alguns, por acharem que o humor - como qualquer outra forma de expressão artística - não obedece regras. Mas não é bem assim. Rafinha errou na dose e resvalou na ofensa pessoal. Desta vez, o azar dele é que gente muito influente, como Ronaldo Fenômeno, amigo de Marcos Buaiz, marido de Wanessa, entrou no circuito.
Nesta segunda-feira (dia 3/10), Mônica Iozzi assumiu a bancada no lugar de Rafinha e não disse a que veio. Ou melhor, para não se comprometer, evitou piadas que pudessem ser mal interpretadas. Se voltar ao programa, quem sabe Rafinha não siga o exemplo da colega. Ninguém espera que ele seja fofo, mas precisa manter o mínimo de compostura.
Uma questão ainda não ficou clara: se a Band resolveu colocar temporariamente uma mordaça no humorista e ainda estuda o que vai ser do seu futuro, por que não veio a público anunciar sua punição? Em vez disso, a emissora orientou os outros integrantes do programa a não falarem sobre o caso. Isso, sim, pode ser interpretado como censura.

domingo, 31 de julho de 2011

Será que Datena vale quanto pesa?

Esse vai-e-vém de Datena já virou brincadeira. Menos de dois meses depois de sair da Band, ele deixa a Record e volta para a antiga emissora. Para rescindir o contrato, o apresentador alega que estava sendo censurado na TV do bispo Macedo e que a pauta do Cidade Alerta tinha que ser aprovada antes pela direção de jornalismo. Não podia falar de temas religiosos nem noticiar violência contra homossexuais. OK, ele tem todo o direito de se rebelar contra a mordaça imposta pela Record. Mas só uma pergunta: será que Datena não pensou nisso quando assinou contrato? Ele já trabalhou lá e devia saber que quem não reza pela cartilha do bispo não tem muito futuro na igreja... ops!, na casa.
Se a volta para a Band for realmente confirmada, para reassumir o Brasil Urgente no próximo dia 8 de agosto, Datena ainda enfrentará uma dura batalha jurídica para o pagamento de uma indenização milionária por essa nova rescisão com a Record - a primeira foi em 2002. Os dois processos podem chegar a R$ 25 milhões. Será que o apresentador e a Band têm esse cacife? O apresentador é cobiçado pelas emissoras e dono de um estilo que garante audiência a programas policiais, mas custa muito caro quando resolve mudar de ares. O preço que se paga em cada troca-troca de canal é muito alto. Será que Datena vale quanto pesa? Outro detalhe: quem garante agora que ele não vai continuar reclamando ao vivo da equipe, do programa, de falhas técnicas e da própria Band, exatamente como fazia antes? Já estão abertas as apostas para a próxima rescisão do apresentador.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Marcelo Adnet rouba a cena de Danilo Gentili

Foi divertida a entrevista de Danilo Gentili com Marcelo Adnet na estreia do Agora É Tarde, na Band. O humorista da MTV roubou a cena do anfitrião, fazendo piadas sobre seu casamento com Dani Calabresa e "o elenco de segunda" do programa. Adnet ainda brincou, dizendo que Danilo estava "a cara do Datena" e afirmando que se sentia como "o primeiro passageiro do Titanic". Será que a atração naufraga? Acho que não, mas talvez sejam necessários alguns ajustes. Tem gente demais no palco: Marcelo Mansfield atua como locutor, e a dupla Murilo Couto e Léo Lins faz reportagens e também ocupa uma bancada. Os três são de stand-up comedy e interagem com Danilo, dando pitacos como numa roda de amigos - o que não significa que são engraçados o tempo todo. O programa ainda ressuscitou uma banda, o Ultraje a Rigor - o vocalista Roger ainda não consegue dizer uma frase inteira e compreensível. Danilo Gentili, que abusa do deboche no CQC, não pareceu tão descontraído e natural como prometera na função de apresentador. Tudo bem, deve ter sido o nervosismo da estreia. Mas agora é tarde!

domingo, 26 de junho de 2011

Festival de Parintins: briga de bois que dá sono

Festival de Parintins é programa pra boi dormir. Com todo respeito ao folclore amazonense, sou obrigado a dizer: como é chato esse duelo entre Caprichoso e Garantido. Transmitida ao vivo pela Band, a festa pode até atrair uma multidão de turistas pelo aspecto cultural e exótico, mas como espetáculo televisivo não empolga, não. Dá sono mesmo. A apresentação dos bois-bumbás é longa demais - duas horas e meia para cada um, uma eternidade. A música é uma toada cansativa, não tem, por exemplo, o ritmo contagiante do samba. No bumbódromo, os bois evoluem sem sair do lugar, o que só colabora com a sensação de repetição. O movimento fica por conta da entrada e saída dos carros alegóricos e a troca de fantasisas dos integrantes. Muito pouco para mexer com o público do sófa. Téo José, experiente locutor de futebol e Fórmula Indy, faz o estilo econômico, fala menos do que o habitual, porque não tem mesmo o que narrar. Parece que ele está com o grito de gol preso na garganta. Quando levanta a voz para tentar passar alguma animação, não convence. Os repórteres se esforçam para buscar curiosidades dos bois - um dos bastidores mais batidos é mostrar as pessoas que manipulam as alegorias. No camarote, o problema é a falta de entrevistado famoso. Na primeira noite, o máximo foi um executivo de um banco que patrocina o evento. A entrevista tinha pinta de ação de merchandising. E, assim, o boi foi pro brejo.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Datena muda de canal, mas continua gritando absurdamente

Aos brados, José Luiz Datena anunciou que estava estreando no comando do "novo" Cidade Alerta nesta segunda-feira. Mas o programa não tinha nada de novo, a não ser a volta do apresentador à Record, após oito anos. A emissora repatriou Datena com direito ao pacote completo: o jeito combativo e resmungão, com pose de paladino da justiça, sempre aos berros. É mais do mesmo que o público já viu na Band. Só mudou de canal!
"Não é bom negócio enfrentar a polícia. Senão, é meio caminho pro caixão", avisa o apresentador, enquanto chama o indefectível comandante Hamilton, piloto de helicóptero, para acompanhar uma grande operação da PM na zona norte de São Paulo. Datena, como sempre, manda abrir a tela para mostrar as imagens aéreas, ao vivo. Quando o diretor corta para o estúdio, ele reclama: "Não precisa colocar minha cara toda hora! Não aumentaram meu salário". O mais engraçado é que ele acabou de ser contratado por cinco anos e já fala em aumento... 
Numa favela do Rio, o Cidade Alerta mostrou a perseguição do helicóptero da polícia a um bandido armado com fuzil, que atirou na aeronave, levou chumbo de volta, mas conseguiu escapar. Bem ao seu estilo, Datena vibrou com as imagens flagradas - repetidas à exaustão -, exortou a ação policial e esculhambou - como sempre - o "vagabundo".
A impressão é que hoje nenhum programa policial pode abrir mão do helicóptero, equipamento fundamental na cobertura de qualquer ação ao vivo. As imagens aéreas aproximam o telespectador do fato, com cenas de perseguição, de tiros e até de vítimas. É o apelo à emoção e à curiosidade natural do público pela desgraça. Um grande trunfo para prender a audiência. E, verdade seja dita, Datena sabe tirar proveito desse recurso como ninguém. Mas não dá pra aguentar seus gritos.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Minissérie ou propaganda?

Dizem que a primeira impressão é a que fica. Após a estreia de Tô frito, na Band, fiquei com a sensação de ter assistido a um comercial disfarçado de minissérie. A trama conta a história de Vitor (Ian Ramil), um jovem desenhista que deixa a casa dos pais no Rio Grande do Sul para tentar a sorte em São Paulo. Até aí, tudo bem, embora o argumento não seja tão original. Mas o que mais chamou a atenção no primeiro episódio, além da dicção ruim do protagonista, foi o excesso de merchandising. Vitor tem muita fome. O problema é que ele só aparece comendo produtos com a marca de uma multinacional do setor alimentício – não por acaso, a patrocinadora da produção! O único alimento sem grife é o ovo que o rapaz não sabe fritar. Nada contra esse tipo de propaganda, até porque ele já está incorporado às novelas. O que incomoda mesmo é o exagero, a repetição e a falta de sutileza. Os produtos também ganham destaque nas prateleiras de um armazém, um dos principais cenários da minissérie. Resta saber se, nos próximos capítulos, vamos acompanhar a trajetória de Vitor pontuada por mais ações de merchandising, ou se assistiremos a uma propaganda costurada por ficção.