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domingo, 10 de setembro de 2017

ANDRÉ FRATESCHI : O POPSTAR HORS CONCOURS



POR SIMONE MAGALHÃES

Estava na cara... Mas sem marmelada! Por melhor que fossem os concorrentes da primeira temporada de "Popstar", na Globo, a vitória tinha destino certo desde o início: o ator e cantor André Frateschi. Não desmerecendo os talentosos Claudio Lins e Mariana Rios, segundo e terceiro lugares, respectivamente, Frateschi foi o ponto alto em todos os programas. Se houve algum 'senão' dos jurados pelo fato desse paulistano, de 42 anos, cantar mais em inglês - Beatles, David Bowie, Queen, U2, Nirvana,  Marvin Gaye -, ninguém pode esquecer que, nas dez semanas da atração, ele também brilhou com músicas de Skank, Cazuza, Legião Urbana e Paralamas do Sucesso. E nada afetou suas performances no palco: Frateschi foi hors concours.
Lúcio Mauro Filho e Thiago Fragoso expressaram muito bem o lado roqueiro de cada um. Mariana Rios, quando introjetava a "diva" dava show - coincidência ou não, sua melhor apresentação foi na quarta semana, quando Di Ferrero, seu ex, era jurado. Além de lindíssima, ela brilhou interpretando "Million Reasons" (Lady Gaga), alcançando a maior pontuação da tarde.
Todos os participantes acabaram transformando o "Popstar" numa grande confraternização. Acredito que Eduardo Sterblitch - que, sem querer, acabou dedicando este último dia às crianças, com o tema do "Rei Leão" e "Lua de Cristal", de Xuxa - sucesso que ele declarou "amar" - não se arrependeu de ter ganhado só dois votos dos jurados; Alex Escobar caiu no samba e parece ter se divertido muito com a participação; assim como Érico Brás (abusando do suingue); Marcelo Mello Jr (que, com certeza, terá mais convites para shows de sua banda, Melanina Carioca), Fabiana Karla (sempre emocionada e trazendo o Nordeste para o palco); a bossa-novista-sensual Sabrina Parlatore, que teve na atração uma alavancada na carreira musical; enquanto Marcela Rica e Murilo Rosa se saíram bem no esforço de mostrar seus dotes de cantores. Rafael Cortez ficou na cota dos que gostariam de ser cantores.
Mas o que me deixou profundamente triste, numa atração tão animada - com Fernanda Lima, em looks e maquiagens nada exagerados para o horário e o programa -, foi o bullying que muitos convidados fizeram com Claudio Lins. Dono de um potencial de voz maravilhoso, cujo timbre é semelhante ao de Ivan Lins, o segundo lugar de "Popstar" não merecia ficar sendo comparado, a cada exibição da atração, com o pai. Aos 44 anos, o ator e cantor não precisa mais afirmar a quem quer que seja o seu talento. Só que as pessoas continuam insistindo na velha e cansativa história do "filho de peixe, peixinho é". Acredito que para tentar minimizar as comparações sobre Ivan e Claudio, a cantora Paula Toller chegou a dizer que o filho cantava mais do que o pai, "um excelente compositor".
Fica a questão: quando as pessoas vão parar de comparar os filhos de artistas que seguem a carreira dos pais? Será que não percebem que isso faz com que eles se cobrem mais, que tenham que "provar" o tempo todo que são bons por si mesmos ou que se sintam diminuídos por terem conseguido um espaço em função do DNA?

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

QUANDO SEREMOS INDEPENDENTES?


POR SIMONE MAGALHÃES

Desde crianças nos ensinam as datas simbólicas do nosso País. E a importância delas. Eu sempre tive uma quedinha pelo 7 de setembro. Além do ato de bravura de um príncipe ao resgatar o que sempre foi nosso, mas que, na verdade, nunca foi, lembro-me das idas às paradas do Dia da Independência, no Centro do Rio. Era um passeio cheio de pompa. E o único que, durante o ano, eu fazia sozinha com meu pai. Tanto que ele, muitas vezes,  brincava comigo me chamando de "parada". Meu pai... Um homem de poucas letras, de muita fé no Brasil, com amigos mais velhos que haviam sido expedicionários, tinha orgulho de todo aquele aparato, numa época complicada - anos 1970 -, sobre a qual ele não sabia absolutamente nada, não apenas pela falta de cultura formal, mas pela dedicação integral ao trabalho e à família.
Nas redações no colégio, que vieram depois, quase sempre havia "Brasil, um país emergente'', "que caminha a passos largos", "cabe a nós, crianças, escrevermos o futuro dessa nação" e por aí ia. Mas nunca fomos.
Meu pai, dono de uma pequena alfaiataria, trabalhou no corte e na costura por mais de 50 anos, e conseguiu nos dar conforto, um apartamento e formar duas filhas em faculdades. Mas já não acreditava naquele Brasil das paradas da Avenida Presidente Vargas. E, quando mais precisou, resmungava muito sobre como a contribuição de uma vida inteira à Previdência Social só permitiu que ele sobrevivesse. A essa altura minha fé pela "grandeza" do Brasil já tinha sido transferida para o filho, que eu viria a ter muitos anos depois. Mas tudo foi se dissipando.
Mesmo assim, sem emprego e decepcionada com cada perversidade que vejo/leio todos os dias, me peguei emocionada - como em 1972, no filme "Independência ou Morte", com Tarcísio Meira - ao ver a cena de Caio Castro, em "Novo Mundo", e rememoro o que imaginei para este País e para os milhões de brasileiros honestos, que hoje (sobre)vivem à míngua.
E o que temos 195 anos depois? Nenhuma independência. Somos reféns de golpistas, ladrões, planos maquiavélicos, violências absurdas e toda sorte de desgraças. Nunca fui uma Pollyanna, pelo contrário, mas esperava que o futuro nos trouxesse o básico: comida, emprego, segurança, educação, saúde pública, dinheiro para quem trabalha por ele... Sobrou-nos apenas - infelizmente, nem a todos - a dignidade e a fé. E a pergunta: Quando seremos independentes?

FOTOS: DIVULGAÇÃO REDE GLOBO E REPRODUÇÃO

domingo, 24 de maio de 2015

O submundo da moda é tema de 'Verdades Secretas', próxima novela das onze da Globo

Rio - Modelos divididos entre o glamour, a prostituição de luxo e as drogas. É no submundo da moda que se desenrola a trama de ‘Verdades Secretas’, próxima novela das onze da Globo, que estreia no dia 8 de junho. Na história de Walcyr Carrasco, Reynaldo Gianecchini faz um sobrevivente desse universo, Anthony, um modelo decadente sustentado por Fanny (Marieta Severo), dona de uma agência que mantém o conhecido ‘book rosa’, um catálogo de garotas que fazem programa. Apesar de ter começado a carreira nas passarelas, o ator diz que não sabia que isso acontecia. 

“Na verdade, ouvi falar sobre prostituição, mas eu nunca vi nada próximo de mim. Nem sabia que existia o ‘book azul’ (lista de modelos masculinos que se prostituem). Eu ficava muito no meu canto, era reservado, não dava chance para papinhos”, conta ele, que se define como um ‘modelo atípico’. “Eu não ia a festas nem me envolvia com as questões da agência.”

Por dinheiro, Anthony se submete aos caprichos da amante. No mundo real, o ator acredita também que tudo tem seu preço. “Acho que existem níveis de as pessoas se venderem. Eu via as meninas novinhas irem a festas com os empresários. Não estou dizendo que se prostituíam, acho até que não. Isso é um jeito de se vender também, pegar o jatinho do empresário, aceitar os agrados, namorar com eles...”, comenta.

Uma das tops mais requisitadas do mundo, Alessandra Ambrósio empresta sua experiência nesse universo para viver Samia, uma ex-modelo e amiga de Fanny. Estreante em novelas, ela afirma que o submundo mostrado na trama é bem distante de sua realidade.
“Eu nunca passei por nenhuma situação constrangedora, ou algo próximo do chamado ‘book rosa’. Sempre tive cuidado, e minha mãe estava sempre me acompanhando. Acho que era uma forma de proteção também. Acho que o segredo é tentar ser profissional sempre”, diz Alessandra.

A trama gira em torno de Arlete (Camila Queiroz), uma jovem do interior de São Paulo que sonha ser modelo. Mas, em vez das passarelas e das campanhas publicitárias, ela é convidada por Fanny a integrar o ‘book rosa’ e passa a se chamar Angel. Larissa (Grazi Massafera) é outra beldade que se prostitui e vira usuária de crack.

“A Fanny não tem caráter nenhum, é amoral. Ela serve e se aproveita desse mundo porque quer poder e dinheiro, quer se dar bem dentro de uma camada que vive desse consumo”, resume Marieta Severo, que garante não conhecer nada dos podres da moda. “Acho que o autor vai retratar o mundo de aparências do consumismo, onde ter é mais importante do que ser”, adianta.

Rodrigo Lombardi, que vive o poderoso empresário Alex, acredita que a trama vai mostrar uma parte da vida que existe e que muitas pessoas já ouviram falar. “Não queremos dar lição de moral em ninguém. Estamos prestando apenas um serviço às pessoas”, diz o ator. Seu personagem namora várias mulheres e se apaixona por Arlete/Angel, tentando seduzi-la a qualquer custo. “Ele acha que pode tudo e que o dinheiro compra tudo.”



Publicado em 21/05/2015 – O DIA 

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Fernanda Gentil conta que sua gravidez foi planejada para voltar ao trabalho na Olimpíada

Rio - Assim que acabou a Copa do Mundo de 2014, Fernanda Gentil, eleita musa da cobertura, deu início a um dos projetos mais importantes de sua vida: ser mãe. Em dezembro, a apresentadora de esporte da Globo descobriu que estava grávida de Gabriel, seu primeiro filho com o empresário Matheus Braga, com quem está casada há três anos.

Com uma barriguinha de seis meses, comandando o quadro ‘Mamãe Gentil’, uma espécie de reality que acompanha sua gestação no ‘Esporte Espetacular’, ela diz que a gravidez foi planejada para que pudesse voltar a tempo de realizar outro sonho: cobrir a Olimpíada do Rio, em agosto de 2016.

“Foi tudo bem calculado. Fazendo as contas, eu tinha até janeiro deste ano para engravidar. Meu filho nasce em agosto. Até as Olimpíadas, ele vai ter um ano, posso curtir a licença com calma. Tive que esperar um pouco, porque fiquei morando quatro meses em São Paulo, onde apresentei o ‘Globo Esporte’. E fazer filho à distância é mais complicado, né? Parei de tomar a pílula em outubro e comecei a tentar. Achei que fosse demorar mais, mas deu tudo certo”, conta.

Radiante com a chegada do primeiro filho, Fernanda passa o primeiro Dia das Mães com o marido e o afilhado Lucas, de 7 anos, na Disney, em Orlando, onde curte dez dias de folga e aproveita para comprar boa parte do enxoval do bebê. “Como estarei lá, vou às compras, já sei do que vou precisar. O quartinho não está pronto, mas vai ser azul e branquinho, sem muito ‘nhem-nhem-nhem’, porque não gosto. É bem básico, com um berço, uma cômoda e um armário”, revela. 

Desde março, ela exibe cada passo da gravidez no ‘Mamãe Gentil’, no ar a cada três domingos, acompanhada de ginecologista, nutricionista, terapeuta e personal trainer. Em nove episódios, o quadro aborda questões relacionadas à gestação, como o controle do peso e da alimentação, e destaca a importância da atividade física.
“Mostramos que a grávida pode e deve fazer exercícios, cuidar da alimentação. O programa presta esse serviço”, explica a loura, que no episódio de hoje mostra os benefícios da corrida e conversa com a atleta Maurren Maggi, mãe de Sofia. “Já fiz alongamento, caminhadas e circuito funcional. Agora é corrida, com intensidade menor do que fazia, controlando a frequência cardíaca. Dá muita disposição”, conta Fernanda.

Regular a alimentação é o maior desafio para ela, que está pesando 69,6 kg. “Dieta é chato, mas importante. Nunca é brigadeiro à vontade”, brinca ela, que come muita salada, frutas, verduras, pão integral, peixe, frango, semente de girassol. “Não dá o mesmo prazer de comer uma pizza, que eu adoro, mas sei que é para o bem do meu filho. Tenho direito a um dia livre, aí me libero para comer fritura, pizza. Nem sinto mais falta do chopinho, mas do japonês... Esse é um grande sacrifício”, confessa.

Os primeiros meses de gravidez foram tranquilos. “Não tive enjoo nem azia. Trabalhei normalmente”, conta. Mas, no início, o sono foi seu maior inimigo. “Ficava bocejando o tempo todo e batendo cabeça na redação. Agora dá mais uma preguiça de levantar”, completa. No momento, Fernanda admite que os nervos estão à flor da pele: “Estou mais sincera, sem paciência, saio falando coisas e dando umas patadas. Fiquei mais intolerante, porque sempre fui boazinha e educada. Tenho que tomar mais cuidado, porque meu sobrenome carrega essa pressão, preciso ser mais gentil.”

A apresentadora espera que volte ao normal após a gravidez. “Não me curto assim, não.” Enquanto isso, o maridão segura a onda sem reclamar. “Matheus está incrível. Ele nem liga para essas coisas, dou umas patadas e ele fica rindo, o que me irrita mais ainda. Ele é muito companheiro, está curtindo demais, divide as tarefas de casa comigo”, conta. Mas ela admite que é um período difícil para a mulher: “Você se olha no espelho e não se reconhece, o corpo muda. E ele também olha e não vê mais a mulher que tinha antes. Mas Matheus não está nem aí. Para ele, quanto maior o barrigão melhor.”

A maternidade não chega a ser uma grande novidade para Fernanda, que cria o afilhado Lucas desde 1 ano e seis meses, após a morte da mãe, que era sua tia. “Para mim, o que define a relação entre mãe e filho é amor, carinho, cuidado. Isso eu já tenho com o Lucas. Agora, com o Gabriel, a novidade é engravidar e amamentar”, compara ela, que não acha que se sentirá culpada, como muitas mães, quando voltar ao trabalho. “Vou ter saudade, vontade de ficar junto. Mas não tenho essa culpa, sabe? Vou sair para trabalhar por eles, pela família”, diz.



Publicada em 10/05/2015 – O DIA
Foto de Maíra Coelho

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Com baixa audiência, 'Babilônia' sofre novas mudanças e é alvo de boatos sobre brigas entre autores e fim antecipado

Rio - A baixa audiência — com médias em torno de 26 pontos — e a rejeição a alguns personagens estão levando ‘Babilônia’ a passar por uma crise também nos bastidores. Um suposto desentendimento entre os autores Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga teria acarretado a interferência direta do diretor de dramaturgia diária da Globo, Silvio de Abreu, assumindo o texto da novela e reeditando os capítulos exibidos na semana passada para acelerar a trama. A situação dentro e fora dos estúdios é tão complicada e preocupante que já há rumores na emissora de que ‘Babilônia’ pode ser encurtada.
“O Silvio (de Abreu) reeditou os capítulos da semana passada, transformando 12 capítulos em seis, como foi exibido (até sábado). Isso tudo foi decidido de comum acordo entre nós e a direção geral da emissora”, conta Ricardo Linhares ao DIA. No entanto, o autor nega que o diretor de dramaturgia da emissora esteja escrevendo a novela: “Ao mesmo tempo (que Silvio reeditava os capítulos), eu e o João Ximenes escrevemos os textos que vão ao ar a partir desta semana.”
Linhares também desmente a briga interna. “Não houve nenhum desentendimento entre nós. Continuamos trabalhando afinados”, garante. 
Procurado pela reportagem, Silvio de Abreu não retornou. A assessoria de imprensa da Globo, porém, entrou em ação para negar que ele estivesse interferindo na trama, ou mesmo reescrevendo os capítulos. 
“Como diretor de dramaturgia diária, Silvio acompanha a rotina de criação dos autores e diretores da novela, participando das avaliações e contribuindo sempre com sua experiência. Os autores de ‘Babilônia’ seguem trabalhando e escrevendo juntos a novela”, diz a nota da assessoria.
Autores e emissora também não confirmam a possibilidade de ‘Babilônia’ sair do ar antes do previsto. Se isso acontecer, a próxima trama das nove, ‘Favela Chic’, escrita por João Emanuel Carneiro, teria sua estreia, anteriormente prevista para outubro, antecipada em pelo menos um mês. As gravações devem começar na última semana de maio.

ALTERAÇÕES NA TRAMA

Depois de Silvio de Abreu condensar 12 capítulos em seis, agilizando a trama, os autores de ‘Babilônia’ prepararam para esta semana uma nova guinada na história, com acontecimentos que, segundo eles, só iriam ao ar por volta do capítulo 80. Depois de Inês (Adriana Esteves) jogar na rede o vídeo em que Beatriz (Gloria Pires) aparece beijando o amante, o motorista Cristóvão (Val Perré), a vilã é expulsa de casa por Evandro (Cássio Gabus Mendes). No capítulo de hoje, Beatriz dá um tiro em Inês para se vingar e como queima de arquivo, já que a advogada é a única que sabe que a vilã matou o motorista, que é pai de Regina (Camila Pitanga) e Diogo (Thiago Martins).
“Não houve mudança alguma na trama da novela. Estamos seguindo tudo o que estava na sinopse. O que houve foi uma antecipação de trama. O que é diferente de mudar a história”, garante Linhares.
Inês vai para o hospital em estado grave, e Beatriz vai presa por tentativa de homicídio. As duas voltam a ser inimigas mortais. Já Regina, que recebe a pulseira que foi supostamente roubada no assalto em que seu pai foi morto, dará queixa na polícia e passará a investigar as duas por conta própria. “As antecipações foram feitas para aumentar a tensão entre Beatriz, Inês e Regina. Essa história só seria explorada adiante, mas sentimos necessidade de antecipá-la”, explica Linhares. “Enfim, é um jogo de gata e ratas”, completa.

Há duas semanas, os autores já haviam alterado o rumo da história de Alice (Sophie Charlotte), que seria garota de programa, mas virou uma mocinha sofredora. “A única mudança de trama que houve foi Alice não ser mais garota de programa. Mesmo assim, foi mantido o triângulo entre ela, Murilo (Bruno Gagliasso) e Evandro”, frisa Linhares.


Publicada em 29/04/2015 - O DIA

Globo 50 anos: Léo Batista e Alex Escobar falam da paixão pelo esporte e da cobertura das Olimpíadas

Rio - Eles possuem estilos opostos e pertencem a gerações distintas da televisão. Mas compartilham a mesma paixão: o esporte. Nos 50 anos da Globo, o veterano Léo Batista, de 82, e o irreverente Alex Escobar, 40, também têm motivos para comemorar. 

Mais antigo apresentador da emissora em atividade, Léo trabalha há 45 anos na TV da família Marinho, onde é um dos pioneiros do ‘Globo Esporte’, um dos programas mais longevos do canal e atualmente comandado por Escobar. Os dois já fazem planos para a cobertura das Olimpíadas no Rio em 2016. 

“Não senti muito o tempo passar. Fico um pouco tímido, envergonhado. Não ligo muito para isso, mas fico feliz com esse reconhecimento”, diz Léo, que não teve sua participação divulgada nos especiais da emissora.
O veterano apresentador, nascido em Cordeirópolis, interior de São Paulo, já fez de tudo na Globo, onde ingressou em 1970. Foi o primeiro a assumir o comando do ‘Jornal Hoje’ e do ‘Esporte Espetacular’, apresentou as edições de sábado do ‘Jornal Nacional’ por muitos anos e narrou os ‘Gols do Fantástico’. No ‘Globo Esporte’, tem cadeira cativa. O próprio Léo não imaginava que ficaria no ar por tanto tempo.
“Naquela época, não tinha divisão de esporte. Sempre fui extremamente profissional e dedicado.Tenho 68 anos de carreira, 54 dedicados ao Grupo Globo, começando pela rádio Globo”, conta ele, que passou pelas TVs Rio e Excelsior.

Atualmente, a rotina de trabalho de Léo Batista é menos pesada e cansativa: “Vou toda quarta-feira à tarde e fico até de madrugada, além de todos os domingos. Gravo a rodada dos gols para o ‘Corujão do Esporte’ e a dos gols de domingo também”, esclarece.

A história de Escobar na Globo é mais recente. Vindo do canal a cabo Sportv, onde era comentarista de futebol, chegou à emissora em 2008 como apresentador do bloco de esportes no ‘Bom Dia Brasil’. De lá para cá, seu jeito espontâneo e descontraído conquistou o público, levando-o à titularidade do ‘Globo Esporte’ há cinco anos. Em 2014, estreou como locutor e narrou jogos da Copa do Mundo no Brasil.

“Estar onde estou significa chegar mais longe do que sonhei. É um orgulho, uma honra estar à frente de um programa tão tradicional na grade e que já foi apresentado por tanta gente que fez e faz história aqui”, festeja o carioca de Bangu, que brinca ao analisar sua trajetória: “Caramba, o que vou dizer... Tá dando certo!”

À frente do programa diário, Escobar encara o desafio de se renovar constantemente, criar quadros, como o bem-sucedido ‘Cafezinho com Escobar’. Tudo para manter o interesse dos fãs do esporte.
“Temos uma equipe muito capacitada e talentosa e estamos entrosados. Quanto ao frescor, é fácil! Todos os dias temos novidades para contar, um dia nunca é igual ao outro”, afirma.

Como espectador e ex-apresentador, Léo enche a bola do colega. “O Escobar é brilhante por ser eclético.Agora começou a narrar, tem aquele quadro do cafezinho e ainda apresenta o programa. Gosto muito dele mesmo, e ele faz aquela brincadeira no ar comigo do tapete vermelho. Eu adoro. É legal e divertido. É gratificante o carinho dele comigo”, diz o veterano.

Escobar devolve o afago do mestre e pergunta:“Como consegue ser tão bom por tanto tempo?” E Léo emenda: “Sou bastante distraído. Ligo o piloto automático e vou em frente. A idade não ajuda, falta memória, visão. Procuro ser bastante profissional, cumprindo meus compromissos. Gostar do que faz é o primeiro passo a fazer bem feito dentro da sua capacidade.”


Cobertura olímpica


Ano que vem, Escobar vai participar de sua primeira cobertura de Jogos Olímpicos no local das competições. “Estou animado demais! E me preparando muito”, garante ele, que não se limita apenas à paixão pelo futebol. “Gosto muito de basquete. Tem muita luta, disputa por espaço, habilidade e precisão. É um esporte lindo e emocionante.”

Acompanhar a Olimpíada no Rio também empolga Léo Batista. “Qualquer esporte pra mim é fantástico, mas tenho adoração pelos coletivos, e a natação também me encanta”, declara.
Apesar de já ter feito de tudo na Globo, ele revela um desejo: “Gostaria de voltar a sentar, por um dia, na bancada do ‘Jornal Hoje’ ou ‘Jornal Nacional’ para apresentar ou até dar uma notícia de esporte”. Léo só não quer saber de aposentadoria: “Gosto do que faço e quero continuar.”


Publicado em 26/04/2015 - O DIA

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Ex-todo-poderoso da Globo, Boni comenta a programação da emissora, que completa 50 anos

Rio - A história da Globo, que completa 50 anos no próximo domingo, quase se confunde com a trajetória de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, o ex-todo-poderoso da emissora. Depois de passar por Tupi e Excelsior, ele chegou em 1967 à tevê da família Marinho, onde criou uma programação bem-sucedida. Das cinco décadas da Globo, Boni sente orgulho de ter participado de 31 anos. Quando deixou o cargo de vice-presidente de Operações, no fim de 1998, para virar consultor, ele custou a assimilar o golpe. 
“Me senti meio que perdendo um filho”, confessa. Hoje, ele ainda assiste à programação do canal com olhar crítico. “Falta à Globo uma certa personalidade”, afirma. Ao avaliar os principais astros, ele conta que faria com que Faustão falasse menos no programa e comenta a saída de Xuxa. “Ela não vai conseguir fazer sucesso na Record”, aposta. 

APRESENTADORES 

Para Boni, artista que não rende mais nem dá audiência como antes deve ficar numa espécie de reserva técnica da Globo, fazendo participações em programas fixos da grade e estrelando especiais uma vez por ano. Ele diz não saber detalhes da saída de Xuxa, mas acredita que foi um mau negócio para ela e para a emissora. “Acho que ela fez uma besteira. Não vai conseguir brigar com a Globo. Se não estava dando audiência na Globo, com todo o poderio da emissora, como ela vai dar audiência na Record? Não vai conseguir fazer sucesso e vai sofrer um desgaste”, prevê. “Difícil a Record arranjar um bom conteúdo para ela”, completa.
Boni diz que Xuxa poderia ter continuado na Globo, seguindo o modelo que ele, antes de deixar o cargo, acertou, por exemplo, com Renato Aragão, que apresenta o ‘Criança Esperança’ e protagoniza especiais de fim de ano. “Não precisa ficar até o fim da carreira. Ele não podia continuar fazendo programa levando bofetada e caindo de cadeira”, avalia.
O ex-todo-poderoso considera Fausto Silva, Ana Maria Braga e Luciano Huck grandes vendedores de produtos. “O que eles anunciam vende. Mas o que fazer com eles em matéria de conteúdo? O problema é conteúdo”, analisa. No caso de Faustão, Boni conta que faria com que o apresentador falasse menos no ‘Domingão’. “Largar o cara apresentando ao vivo um programa de três horas é um desgaste. Eu arranjaria mais produção, para que ele aparecesse menos e o programa não dependesse tanto dele”, adianta.

NOVELAS 

Boni classifica como “uma bobagem” a polêmica em torno do beijo gay das personagens de Fernanda Montenegro e Nathália Timberg em ‘Babilônia’. “As novelas não funcionam ou deixam de funcionar por causa disso. É uma reação passageira. O que determina o sucesso é se a trama está correta ou não”, ensina ele. “Se eu soubesse que o público ia acompanhar a história com interesse, eu não vetaria beijo gay.”
Para a trama ser bem-sucedida, ele diz que a história tem que ser boa e existir um equilíbrio de forças entre vilões e herói (heroína). “A mocinha tem que ser frágil, para que o público possa torcer por ela. Não pode ser tão forte como o vilão.” Desde o início, Boni sabia que as novelas dariam certo e diz que a contratação de Janete Clair no fim dos anos 60 foi fundamental. “Ela criou histórias mais realistas e brasileiras, trouxe um formato e padrão que todo mundo seguiu depois.”
Quando percebia algo errado numa novela, agia rápido e mudava tudo em uma semana, como a Globo fez com ‘Babilônia’. “Fizemos isso em ‘O Dono do Mundo’, foi difícil consertar”, lembra. 

FUTEBOL 

O futebol da Globo não tem sido motivo de alegria para Boni. Apesar de adorar o esporte, ele afirma que não aguenta mais os jogos de toda quarta-feira, por causa da repetição e da baixa qualidade do espetáculo. “A Globo devia continuar perseguindo a questão de fazer uma TV brasileira sem defeitos, sem repetição e sem concessões. Ela não pode transmitir esse futebol chinfrim como obrigação comercial. Podia ser um pouco menos comercial e voltar a ser mais artística”, critica o ex-diretor. “Não acabaria com o futebol, não! Mas só transmitiria jogo bom. Esse de quarta-feira mata!” 

JORNALISMO 

Um dos maiores orgulhos de Boni é o ‘Jornal Nacional’. “Conseguimos criar um telejornal com informação para o país todo, ao vivo. Era um desafio muito grande e um projeto polêmico, porque havia várias maneiras de implantar. Mas não inventamos o modelo, copiamos o da TV americana, que já estava no ar há mais de 20 anos”, conta. “Assisto ao ‘JN’ hoje sempre com olhar crítico. Mas minha paixão na TV é o jornalismo, é o que vai manter a TV aberta funcionando.”
Boni admite que um dos grandes erros foi a cobertura da campanha ‘Diretas Já’ e a edição do debate entre Lula e Collor. “Cobrimos o comício de São Paulo (sem dizer que era a campanha das Diretas) e não continuamos no ‘JN’, porque depois tinha novela. No debate do Collor e Lula, o ‘Jornal Hoje’ fez uma edição favorável ao Lula, e o ‘JN’ foi a favor do Collor a pedido do doutor Roberto. Mas isso não interferiu na eleição”, diz. 

CONCORRENTES 

Apesar de algumas ressalvas, Boni aponta a Globo como a melhor emissora do país, sem concorrente em programação e qualidade. “Ela faz uma ótima televisão e ponto final. O resto não faz. Segue a linha da mesmice. Acho uma pena que a Globo tenha eliminado esses programas que iam ao ar uma vez por mês, como o ‘Casseta & Planeta’, baseado numa fórmula econômica”, diz. “SBT e Record se dão por satisfeitos com o que fazem”, completa.
Boni destaca o excesso de exposição no horário nobre. “O ‘Jornal Nacional’ hoje está com 40 minutos, antigamente era 30. A novela tem uma hora de duração, antes era 40. O horário nobre da TV está com uma hora e 40 minutos, ocupado apenas por dois programas. Isso aí significa exposição das pessoas”, diz ele, que defende o descanso para os artistas de toda a programação.
“A televisão é uma máquina que consome o talento das pessoas que estão no vídeo. A preocupação em preservar atores, apresentadores, diretores e autores deve ser constante. É um desgaste brutal”, frisa. 

PROGRAMAÇÃO 

Nos primeiros anos na Globo, Boni não recebia salário. Fez um contrato de risco. Ao lado do diretor Walter Clark, traçou uma meta de montar a rede, criar uma programação de qualidade e colocar a emissora entre as primeiras do país em cinco anos. “Conseguimos em três”, orgulha-se. O famoso “padrão Globo de qualidade”, garante ele, foi um método de trabalho seguido com rigor. “Às vezes, quando vejo algum deslize na programação, sofro muito, porque tenho medo que as pessoas joguem fora isso, não é apenas um padrão técnico, é uma questão artística”, ensina.
Ao comparar a Globo de hoje com a de seu tempo, ele diz: “Os recursos tecnológicos de hoje não existiam naquela época. Mas vejo que o cuidado artístico era maior no meu tempo, talvez porque hoje o volume de produção seja maior.”
Boni admite que era controlador e explica que esse poder dava personalidade à programação. “Tinha uma equipe e filtrava as ideias de todos, mas concentrava a decisão. Isso dava personalidade à Globo, a emissora tinha uma cara. Se era boa ou ruim, isso se devia aos meus erros e acertos”, diz. Mas, atualmente, ele acha que a emissora perdeu essa personalidade. “Falta uma cara própria em todas as áreas de programação. Acho que o público sente essa necessidade de que a emissora tenha uma marca intensa”, diz ele, que jamais perde o hábito de criticar. “É uma deformação profissional”, diverte-se.

Memorandos internos de Boni na Globo vão virar livro 

Depois de lançar o ‘Livro do Boni’ em 2011, contando sua trajetória na televisão e particularmente sua história de sucesso na Globo, Boni já tem ideia para escrever um segundo livro, ainda sem previsão de lançamento. Recentemente, ele recebeu de sua antiga emissora um calhamaço de memorandos que produziu em 31 anos de trabalho. 
"O CDOC (Centro de Docmentação da TV Globo) guardou tudo. E a Globo me deu de presente. São cerca três 3 mil memorandos que escrevi, alguns com textos instrutivos, em que falo como tem que fazer um programa ou como um câmera tem que enquadrar uma cena”, conta.
Boni está fazendo uma triagem dos documentos. “Li uns 20 ou 30, dava para chorar. Eu não me lembrava de algumas coisas. Tem um memorando sobre cameraman, dizendo para os caras como tinha que travar a câmera, que não podia balançar, que não podia acompanhar a cabeça do cara em movimento. É engraçadíssimo”, diverte-se.
Dono da TV Vanguarda, afiliada da Globo, ele esclarece que 70% da programação é de conteúdo da sua antiga emissora, enquanto os outros 30% são de produção local. “Dá para fazer experiências interessantes, criar um contato com a comunidade. Somos um canal com 100% digital. Temos diversas inovações. O manual de implantação do digital da Vanguarda, por exemplo, é adotado pela Globo”, revela.
Boni não espera receber homenagens nos 50 anos da Globo. “Nem gosto. A melhor homenagem que recebo é quando as pessoas fazem o que sonhei e fazem bem feito”, explica. “Tenho orgulho de ter criado um mercado de trabalho para atores, diretores e autores brasileiros”, completa. Aposentadoria não está nos seus planos. “Quero morrer fazendo televisão”, diz, aos 79 anos.

Publicado em 23/04/2015 – O DIA

Foto de André Luiz Mello

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Protagonista de 'I Love Paraisópolis', Bruna Marquezine diz que ainda não sabe lidar com a fama

Rio - Aos 19 anos, Bruna Marquezine já sentiu na pele o ônus da fama. Protagonista da próxima novela das sete, ‘I Love Paraisópolis’, em que vive Marizete, ou Mari, uma garota nascida na comunidade de São Paulo que trabalha como faxineira, garçonete e até segurança, a atriz admite que ainda está aprendendo a administrar o estrelato e o interesse por sua vida pessoal.

“Eu seria muito pretensiosa se falasse que já aprendi a lidar com isso, mas acho que já me acostumei. Não acompanho briga, não acompanho ofensa. Isso não me acrescenta nada. Minha vida pessoal diz respeito a mim. Hoje, eu já não sofro mais com muita coisa que já sofri”, diz.

Ano passado, a vida da atriz virou o centro das atenções, mais do que o seu trabalho. Enquanto protagonizava a novela ‘Em Família’, Bruna vivia um polêmico e atribulado namoro com o craque Neymar, que terminou em fevereiro de 2014.

“Passei por um momento muito conturbado. Isso ficou claro. Passei por uma novela que foi um presente para mim, mas a gente teve alguns problemas, junto com a minha vida pessoal, que ficou muito exposta. Foi um momento muito conturbado, mas foi necessário. Vivi tudo o que eu queria viver, não me arrependo de absolutamente nada”, garante a atriz, que acha que tudo contribuiu para o seu amadurecimento. “Tem coisas que não são agradáveis que fazem com que a gente cresça e aprenda. Foi isso que aconteceu comigo”, atesta.

Pelo visto, Bruna assimilou direitinho a lição, já que o relacionamento com o atual namorado, o modelo Marlon Teixeira, é um assunto a ser evitado. “Quando você passa a primeira vez por uma coisa, você questiona muito tudo aquilo, sabe? Eu questionava por que eu não podia falar, ou por que eu não podia expor. E, realmente, quando a gente expõe muito, parece que a gente atrai mais problemas (risos). É surreal”, diz.

Bruna quer continuar aprendendo e beijando muito, sem dar satisfação a ninguém. “Uma menina de 19 anos tem direito de sair, de ir ao cinema, de beijar quem quer… Eu tenho direito de fazer essas coisas. Agora, eu não preciso ficar expondo e falando por aí: ‘Olha, gente, fiz mesmo, mas agora não sei.’ Não vou falar, sabe? Mas também não vou me trancar numa caverna.”

Na TV desde os 5 anos, sendo que estreou em novelas com 11, ela afirma estar orgulhosa de tudo o que fez e por que passou. Mas agora concentra toda energia em Marizete. Para ela, não existe pressão maior por ser a protagonista.

“Óbvio que é uma responsabilidade grande, mas não vou me dedicar mais ou menos porque é protagonista. Sempre mergulhei de cabeça em tudo que fiz, me dediquei igual. Tento não me preocupar muito com isso”, diz ela, que não teme críticas. “Faz parte do meu trabalho. Não dá para agradar a todo mundo, mas meu melhor é garantido”, completa.

Na trama, Marizete foi criada junto com Danda (Tatá Werneck), sua melhor amiga, na comunidade de Paraisópolis. A garota vai se apaixonar pelo arquiteto Benjamin (Maurício Destri), que já namora a vilã Margot (Maria Casadevall).

“É uma menina muito forte, justa, ética, que faz de tudo para ajudar a família e busca um futuro melhor”, conta Bruna, que só gravou em Paraisópolis após três meses de preparação. “Foi muito bacana, fomos bem recebidos. Não tive oportunidade de conhecer uma menina igual à Mari, mas conheci muita gente. Vamos voltar lá. Até o final da novela, devo conhecer outras pessoas.”



Publicado em 20/04/2015 – O DIA 

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Fernanda Lima sobre Amor & Sexo: 'Foi bom para mim'

Rio - A paixão esfriou. E o sexo não tem mais novidade. Hora de separar e procurar novos parceiros. É com esse espírito que Fernanda Lima chega à sua sétima e última temporada no comando de ‘Amor & Sexo’, que estreia dia 3 de outubro, na Globo. A tristeza com o fim de um casamento que deu tão certo só não é maior do que o prazer de fazer o programa. “Foi bom para mim”, confessa a bela, de 36 anos,que promete episódios ainda mais quentes do que os anteriores.

Quando o diretor de núcleo Ricardo Waddington a convidou para apresentar ‘Amor & Sexo’ em 2009, Fernanda achou que não seria capaz. “Nunca achei que soubesse falar de sexo e ainda acho que não sei. Talvez tenha sido este o segredo do sucesso do programa. Ninguém chega lá com ideias prontas e conceitos, mas com dúvidas”, diz ela. “Despedida nunca é bom. Vou sentir saudade, mas é um ciclo que se fecha”.

Waddington foi quem decidiu que estava na hora de acabar. Para ele, o sexo pelo sexo não seguraria a atração. O tema foi esgotado. “Falamos de sexo oral, anal, tamanho de pênis... Para continuar, teríamos que falar sobre outros assuntos como comportamento, para os quais já existem programas na grade da emissora”, explica.

Na nova temporada, que começa a ser gravada nesta sexta-feira, Fernanda escreve o roteiro e também canta. Como ela já mexia nos textos que recebia, foi formalmente confirmada como redatora por Waddington e pelo supervisor de texto Rafael Dragaud. “Nada mais natural do que escrever o que vou falar. Difícil, mas é bom”, diz ela, que já tem quatro programas prontos.

Cantar foi ideia do diretor. A apresentadora tem ensaiado com Léo Jaime, produtor musical do programa. “Na hora, topei. Depois, não consegui mais arredar o pé. Quando fui pro estúdio e ouvi minha voz, odiei. É um desafio bem difícil”, admite.

Na bancada, os jurados José Loreto, Alexandre Nero, Otaviano Costa, Mariana Santos e Regina Navarro Lins (colunista do DIA) estão de volta. “Acho que minha influência foi o Pedro de Lara”, brinca Nero. O diretor anunciou em primeira mão: “Otaviano vai fazer strip-tease num dos episódios”.

TRABALHO PARA CASA

Casada com Rodrigo Hilbert, mãe dos gêmeos João e Francisco, de 5 anos, Fernanda garante que não aprendeu tanto assim, apesar dos quatro anos falando de sexo: “Não consigo me lembrar de nada revelador que tenha mudado a minha vida”.

Outros membros da equipe já levaram trabalho para casa: Waddington testou uma boneca inflável e Léo Jaime, um vibrador masculino. “Não consegui. A boneca era de plástico e machucava”, afirma o diretor. “O vibrador tinha desenho de um boneco com a boca aberta. Não consegui usar. Mas meu filho achou que era um brinquedinho ótimo”, revela o músico.

Fernanda diz não ter grandes questões sexuais, mas não deixa de opinar no programa mesmo quando o assunto é delicado. “O que me deixaria desconfortável é se perguntassem: ‘Você faz sexo anal?’ Esse tipo de pergunta eu não faço, prefiro que a pessoa fale, e não gosto que façam comigo”, frisa. “Da minha vida sexual, eu não falo”.

Aberta a novas parcerias, Fernanda jura que não tem outro projeto em vista. Ela nega que vá para o ‘Video Show’ e não pensa em voltar às novelas — fez ‘Bang Bang’ (2005) e ‘Pé na Jaca’ (2006). “Tenho muito medo de atuar. Acho que expõe, não sei lidar com essa mistura de emoções”.


Publicada em 18/09/2013 - O DIA
Foto:  Márcio Mercante / Agência O Dia

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Milagre em Saramandaia: Stela ressuscita a bisavó com suas lágrimas

Rio - Para quem pensa que já viu todo tipo de esquisitice em ‘Saramandaia’, prepare-se para algo ainda mais fantástico. É que Stela (Laura Neiva), a neta de Zico Rosado (José Mayer), vai ressuscitar a bisavó Candinha (Fernanda Montenegro) com suas lágrimas. Envolvida em outros mistérios da trama, a personagem também vai ser alvo de uma disputa entre o avô e Risoleta (Debora Bloch), que é sua verdadeira mãe, e vai se apaixonar por Tiago (Pedro Tergolina), filho de Vitória (Lilia Cabral), num romance típico de Romeu e Julieta.

“Ela é uma personagem de realismo mágico que não havia na primeira versão. Antes da bisavó, ela traz à vida uma flor murcha, por exemplo. E terá outras manifestações”, adianta Ricardo Linhares, autor da novela das 23h.

Num encontro virtual promovido por Stela e Tiago, Candinha passa mal e morre ao ver Tibério (Tarcísio Meira), seu grande amor do passado, através da webcam do tablet. Mas as lágrimas da neta, que cai no choro, devolvem a vida à matriarca dos Rosado. Na cena carregada de emoção, que só vai ao ar a partir de 15 de agosto, Laura Neiva recebeu muitos elogios de Fernanda Montenegro e do diretor Fabrício Mamberti após gravar.

“Acho lindo que ela tenha esse dom. A maioria das personagens têm alguma esquisitice, e o dela não é isso. Ela vive numa casa em que o avô é muito rígido, a bisavó vive em outro mundo, e minha personagem é a que une a família toda”, diz Laura.

Filha de Zé Mario — o filho de Zico morto numa emboscada armada por Tibério Vilar (Tarcísio Meira) —, Stela vai se aproximar de Risoleta, o que deixará Zico e Helena (Ângela Figueiredo) muito apreensivos, pois não querem que a jovem saiba que a ex-prostituta é sua mãe. Segundo Ricardo Linhares, Risoleta estava grávida de nove meses quando o pai de Stela foi assassinado, mas ela escapou.

“Zico tocou o terror nela, dizendo que ela seria a próxima vítima da guerra entre as famílias, e comprou Stela, bebê. Risoleta foi embora com a condição de nunca mais voltar. E os avós disseram para Stela que a mãe morreu no parto. Mas Risoleta se arrependeu do erro que cometeu e voltou para acompanhar de longe a vida da filha, destratando o acordo com Zico”, conta o autor. “Ela vai tentar pegar a filha de volta”, garante Debora Bloch.

Em meio a essa disputa, uma outra tragédia vai marcar a vida de Stela: o assassinato de Tiago. Após conhecer o caçula de Vitória, ela começa um romance com o rapaz às escondidas. “Gibão (Sérgio Guizé) vai prever a morte de Tiago num confronto entre as famílias Vilar e Rosado”, revela Ricardo Linhares.

O personagem alado terá muitas outras visões, como a explosão de Dona Redonda (Vera Holtz), uma cena que deve acontecer mais para o fim da trama: “Ele vai ver Redonda inchar e subir feito um balão”, antecipa o autor. Temporariamente, Zico vai reverter a situação, livrando-se da suspeita do atentado a bomba, mas Gibão vai continuar na cola do formiguento.

Publicada em 17/07/2013 - O DIA

Série 'Pé na Cova' terá mais 13 episódios

Rio - Com o início das gravações da segunda temporada de ‘Pé na Cova’ previsto para agosto, Miguel Falabella só tem defunto em mente. Tudo porque ele quer produzir uma nova safra de 13 episódios ainda melhor do que a primeira. Criador e protagonista da série, o ator está satisfeito com a audiência atual — em torno dos 14 pontos —, mas acha que o programa ainda é incompreendido por fazer humor com a morte.

“Eu adoro, acho que é um programa diferenciado. Mas tenho certeza de que ele será mais entendido daqui a alguns anos”, avalia Miguel, acrescentando que o elenco e a direção ainda vão se reunir para traçar a nova temporada, com estreia prevista para o fim de outubro, na Globo, após o término da novela das 23h, ‘Saramandaia’.

Na pele de Ruço, dono de uma funerária no Irajá e chefe da excêntrica família Pereira, que fala tudo errado e demonstra grande ignorância sobre qualquer assunto em geral, Miguel Falabella acredita que o seriado é um retrato fiel do povo brasileiro nos dias de hoje.

“A classe D se vê naquela gente. Eles (os personagens) são os invisíveis, que são a grande massa desse país. Eles não sabem nada! Coitadinhos... Não têm acesso a nada, são de uma ignorância profunda. Na verdade, é um retrato do país. É só entrar na internet e ver como as pessoas escrevem. Você vê como elas escrevem e fala: ‘Meu Deus do céu. O que é isso?’”, diz o ator.

É por essas e outras que Falabella não se surpreendeu com o sucesso do programa. “Acho que ele tem vários níveis de leitura, agrada a várias categorias e classes sociais”, resume.

Além da segunda temporada de ‘Pé na Cova’, ele já está escrevendo o projeto de uma nova novela das 19h da Globo e gravou quatro episódios inéditos do ‘Sai de Baixo’ para o canal por assinatura Viva. Apesar de tanto trabalho, o ator, que sempre declarou dormir muito pouco, garante que tem tirado, em média, umas cinco ou seis horas de soneca por dia.

“Não preciso de muito sono. Meu organismo não precisa de muito, não sou daquelas pessoas que dorme até meio-dia, não consigo. No máximo, se for dormir muito tarde, acordo às 9h30. Mas não passo disso. Geralmente, me levanto às 6h30, 7h. É o horário em que escrevo melhor, que estou mais produtivo”, conta.

Publicado em 11/06/2013 - O DIA

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Caco Ciocler diz que conhece a dor de Celso: "Já traí e fui traído"


É com enorme satisfação que Caco Ciocler resume o sentimento das mulheres em relação ao revoltado Celso, seu papel em ‘Salve Jorge’: “Estão me odiando como nunca!”. E não era para menos. Aos 41 anos, o ator paulista, que já foi mocinho em várias novelas, virou alvo da ira do público feminino por causa das armações de seu personagem, que tenta colocar a filha, Raíssa (Kiria Malheiros), contra a mãe, Antônia (Letícia Spiller), ao disputar a guarda da menina.

“Nunca tinha passado por esse ódio tão visceral, principalmente das mulheres. Já fiz vilões, mas bem ou mal eles tinham um certo charme. Celso não tem atrativo algum. Não é que seja mau, ele é equivocado, sem maturidade emocional e está fazendo coisas com uma criança, o que mexe demais com as pessoas”, avalia o ator, que tem sido xingado nas ruas. “Isso significa que estou fazendo direitinho o meu trabalho”.

Se na ficção faz um homem que se morde de ciúme pela ex-mulher por ter sido traído e abandonado, na vida real Caco, que se separou da atriz e diretora de arte Marina Previato, diz que aprendeu a lidar com esse sentimento. “Eu sinto ciúme, já senti coisas que o Celso sente, já fui traído e abandonado. Já traí e abandonei. Eu sei que dor é essa. Mas tenho a consciência de que o ciúme é um sentimento ruim, de posse. Hoje em dia, eu me policio muito, por entender que isso não é amor, é ego ferido. Tem muito mais a ver com as minhas questões do que com a pessoa em si”, reflete.

Nada como a maturidade. Até porque o ator já agiu de forma bem diferente na adolescência. “Já fiz escândalo, já quebrei casa... Por quê? A pessoa me traiu, meu camarada!!!”, conta ele, aos risos.

Pai de Bruno, de 17 anos, fruto de seu relacionamento com a atriz Lavínia Lorenzon, Caco define como “um absurdo” o que Celso faz com a filha, falando coisas para atingir a mãe — uma atitude chamada de alienação parental. “Essa foi uma preocupação que eu sempre tive quando me separei da mãe do meu filho. A criança não tem nada a ver com isso. Imagina ela crescer ouvindo os pais falando mal um do outro. Deve ser um estrago irreparável!”, diz ele, que atualmente curte a solteirice sem o filho. “Ele está fazendo intercâmbio na Austrália. Pela primeira vez, desde os 24 anos, estou solteiro e levo uma vida sem o compromisso de voltar pra casa para cuidar dele. Gostaria de ter mais filhos, mas não agora. Quero ter essa experiência em outra situação, encontrar uma pessoa bacana e, com certeza, ter um filho”.

Diferentemente do seu personagem, o ator garante ter ótima relação com a mãe de Bruno, mas procura evitar comentários que possam ser mal interpretados. “Às vezes, me pego soltando umas coisas. Aí, penso: ‘Não posso falar isso’. Mas também já ouvi do meu filho coisas que ela falou de mim. É normal. Mas me dou muito bem com ela”, assegura.

Chocado mesmo Caco ficou ao saber dos casos extremos, nos quais as mães fazem acusações falsas contra os pais para conseguir a guarda do filho (a) na Justiça. “É mais comum do que a gente imagina. As mulheres acusam os maridos de abusarem da filha, de seduzi-la, de gostar de vê-la tomar banho. Uma loucura!”, indigna-se.

Quando a autora Glória Perez começou a debater o tema, Caco tomou uma decisão importante para encontrar seu espaço em meio a quase 100 personagens. “Sabe quando tem aquela multidão e você começa a pular? Celso nem era tão maluco, mas achei que precisava dar uma subidinha no tom para prestarem mais atenção em mim”, revela. A estratégia deu certo. “Celso ocupou um lugar particular na trama. É o tipo de personagem que você quer ver para odiar, para xingar”, avalia.

Na reta final, Celso vai recuperar a guarda da filha após a prisão de Antônia e descobrir que não é filho de Arturo (Stenio Garcia), mas sim de Gustavo, o marido falecido de Leonor (Nicette Bruno). Ele vai reivindicar a paternidade e sua parte na herança. “Eu queria que ele acordasse, caísse na real. Precisa tomar na cabeça”, torce.


Publicado em O DIA - 5/05/2013
Foto: João Laet

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Salve Jorge sofre boicote dos evangélicos


Mal começou e ‘Salve Jorge’ já está no centro de uma polêmica. Evangélicos estão usando a Internet para promover um boicote à novela de Glória Perez, que estreou anteontem com média de 35 pontos, na Globo. O site Exército Universal, formado por fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), alega que a trama faz adoração a Ogum, entidade espírita que corresponde a São Jorge. Até o bispo Edir Macedo, líder da Universal, faz campanha em seu blog contra a novela, pedindo que os seguidores assistam à reprise da minissérie ‘Rei Davi’, que reestreou no mesmo dia, com 6 pontos, na Record.

“Não vejo boicote nenhum dos evangélicos, o que vejo são interesses comerciais apelando para o fundamentalismo”, rebate Glória Perez.

Edir Macedo diz no seu blog que os fiéis não podem aceitar em suas casas algo que contrarie a sua fé, chama São Jorge de “deus pagão travestido de santo” e afirma que Davi, sim, é um herói verdadeiro. “Jorge não existiu, foi baseado em uma lenda babilônica em que o deus Marduk mata Tiamat, representada por um dragão. Sei que muita gente o vê como exemplo de herói guerreiro, mas herói guerreiro foi Davi!”, diz o texto de Macedo.

Outros líderes evangélicos estão estimulando os fiéis em cultos a boicotarem ‘Salve Jorge’. “Aconselhei a todos na igreja a não assistirem à novela, que é uma idolatria à feitiçaria”, exagera o pastor Epitácio de Souza, presidente do Ministério Nova Aliança de São Gonçalo.

Em comunicado, a Globo alega que a novela não fala de São Jorge, e, sim, do mito do guerreiro: “A única coisa que aparece de São Jorge é o fato de ele ser o padroeiro da cavalaria. É por isso que o personagem de Rodrigo Lombardi é devoto dele, pois pede proteção a cada ação. Com o decorrer da novela, isso ficará evidente para todos os grupos”.

SANTO CAUSA CIÚME E DISPUTA

DEVOTOS DE JORGE: Administrador da Igreja de São Jorge, no Centro do Rio, e integrante da irmandade do santo guerreiro, Jorge de Aguiar, 82 anos, não leva a sério o boicote dos evangélicos à novela de Glória Perez. “Isso é bobagem, ciúmes. Eles não vão conseguir nada”, aposta ele, que confia na força do santo para vencer essa demanda. “Acho que todas as religiões têm suas falhas, mas o importante é que as pessoas respeitem a fé dos outros”. Na última festa de São Jorge, a igreja do Centro recebeu mais de 180 mil fiéis.

INTOLERÂNCIA RELIGIOSA: Interlocutor da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, Ivanir dos Santos diz que fazer censura prévia a uma obra de ficção é uma postura fascista. “Uma coisa é você ter um olhar crítico sobre aquilo que você vê. Isso é direito de todos. Agora, outra coisa é você proibir que alguém assista a algo”, avalia Ivanir. “Acho toda essa história de intolerância uma bobagem. A população pode gostar de ‘Salve Jorge’, ‘Rei Davi’, Preto Velho, etc”.

GUERREIRO: Em entrevista ao colunista Leo Dias, de O DIA, no último domingo, Glória Perez já tinha deixado claro que o foco da novela não era o santo, e, sim, o mito do guerreiro que São Jorge representa. “O que me levou a falar do mito foi a admiração pela força guerreira da gente do (Complexo do) Alemão, que suportou durante tantos anos o domínio dos traficantes”.


Matéria  publicada em O DIA - em 24/10/2012

terça-feira, 9 de outubro de 2012

É guerra! Torta voa pra todo lado na novela das sete

Aberta a temporada de torta na cara! E a primeira vítima foi Edson Celulari, logo no primeiro capítulo de ‘Guerra dos Sexos’. Roberta (Gloria Pires) acertou o bolo bem na cara de Felipe, personagem do galã. Mas a cena mais esperada da trama de Silvio de Abreu só vai acontecer no nono capítulo: Tony Ramos, o Otávio II, e Irene Ravache, a Charlô II, se sujaram muito ao refazerem a antológica ‘guerra de comida’ entre os primos vividos por Paulo Autran e Fernanda Montenegro na primeira versão.


“Ficou um barato! As pessoas riam no estúdio. Eu e Irene também rimos muito, era uma brincadeira. Nossa preocupação era sujar pra valer logo. Foi tão indolor que a cena saiu com humor que tinha de ter”, conta Tony Ramos. A gravação foi feita de uma só vez, sem ensaios, exatamente como a cena de 30 anos atrás.

“Foi direto. Não se pode errar essas coisas. Às vezes, o diretor queria mais pedaços na cara, pedia para a gente jogar outra vez, só para sujar mais. Foi um happening, uma alegria. E o importante foi acreditar nessa alegria e entender que o ódio dos personagens tinha que ser para valer. A gente não podia ter dó de jogar na cara um do outro aquela meleca toda”, diz Tony.

Mas a guerra entre Otávio II e Charlô II não saiu barato. Na mesa de café da manhã, além de leite, suco, iogurte e pães, os dois atiraram um na cara do outro seis tortas de damasco com creme de chantilly, encomendadas pela produção à Confeitaria Kurt (Rua Gal. Urquiza 117, loja B, Leblon. Tel: 2294-0599. Preço: R$ 85, a grande, e R$ 70, a pequena). Carro-chefe de vendas da loja, a tradicional guloseima também foi usada na batalha entre os personagens da primeira versão.

No meio do barraco, com comida voando para todo lado no cenário, Tony Ramos lembra que Irene Ravache não conseguia enxergar em certo momento. “Foi por causa do iogurte que caiu nos olhos dela. Ardeu!”, revela o ator, contendo o riso. “Foi difícil atuar com iogurte nos olhos. Ele bateu e foi descendo lentamente, se espalhando por todo lado. Um horror”, brincou a atriz.

Se Irene perdeu a visão por alguns segundos, Tony teve dificuldades para se livrar da sujeira. A atriz entrega uma engraçada história de bastidores sobre seu colega, conhecido por ter muitos pelos no corpo. “Tony contou que, quando foi tomar banho, foi terrível. Como ele é muito peludo, ficou cheio de cerejinhas”, diverte-se ela.

Edson Celulari, que faz o papel que foi de Tarcísio Meira em 1983, também achou divertido ser atingido por um bolo. “Quando li o primeiro capítulo e vi que a cena do Felipe acabava com uma tortada na cara, decidi que queria fazer. É muito engraçado! O barato da carreira de ator é diversificar. Se fizer sempre a mesma coisa, o público não vai querer ver”, avalia.

A comédia pastelão é um dos principais ingredientes da trama. E outras tortas na cara virão. Tony Ramos sabe que haverá comparações, mas frisa que agora a história é outra. “Quando temos dois ícones da dramaturgia, como Paulo e Fernanda, a cena deles é para toda vida. Agora, fizemos a nossa cena, com outra leitura. Tendo essa consciência dramatúrgica, tudo fica mais fácil”, conclui.


PUBLICADA EM O DIA, EM 2/10/2012

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Mulheres à frente de seu tempo em 'Lado a Lado'

Numa época em que a mulher era criada para se casar e ter filhos, ficava em casa bordando e não podia aprender a ler e escrever, elas desafiaram o preconceito, as normas vigentes e foram à luta pelo direito de igualdade com os homens. Com ideias modernas demais para o final do século 19 e início do 20, as brasileiras Nísia Floresta, Chiquinha Gonzaga, Eufrásia Teixeira Leite, Tia Ciata e Júlia Lopes de Almeida fizeram história.

“Todas essas mulheres foram inspirações para a gente, contribuíram com as suas trajetórias e o modo como enfrentaram as limitações impostas a elas”, diz Claudia Lage, coautora com João Ximenes Braga de ‘Lado a Lado’, próxima novela das 18h, que estreia dia 10, na Globo.


A luta pelos direitos da mulher é tema do novo folhetim, ambientado no Rio do início do século 20. As protagonistas Laura (Marjorie Estiano), de família de barões do café, e Isabel (Camila Pitanga), filha de um ex-escravo, não se conformam com o único destino reservado a elas: o casamento. A inspiração de Laura é a escritora potiguar Nísia Floresta (1810-1885), considerada a precursora dos ideais feministas no Brasil. Em 15 livros, Nísia defendeu uma educação igualitária entre homens e mulheres, além de ter fundado no Rio um colégio revolucionário para meninas.

“A mulher não estudava nem trabalhava. Só existia para servir o marido e reproduzir. Mas Laura é mais libertária. E, para ela, Nísia é uma grande referência”, conta Marjorie, que aponta a mãe, Marilene, 61 anos, como exemplo. “É muito ativa, criou os irmãos e foi trabalhar. Ela tem características dessas mulheres de que estamos falando. Se formou e agora está abrindo um consultório de psicologia”.

O Rio efervescente mostrado na novela também é cenário de outra mulher à frente de seu tempo: a compositora e pianista carioca Chiquinha Gonzaga (1847-1935). Primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil, ela participou da campanha abolicionista e criou a primeira marchinha carnavalesca, ‘Ô Abre Alas’ (1899). Amiga de Nair de Tefé, mulher do presidente Hermes da Fonseca, a maestrina escandalizou a elite e o governo ao tocar um maxixe, considerada uma música vulgar, durante um recital no Palácio do Catete, em 1914.

O surgimento das favelas, a afirmação dos negros e a invenção do samba também são temas de ‘Lado a Lado’. Foi nesse contexto que despontou a baiana Tia Ciata (1854-1924), cozinheira e mãe de santo que chegou ao Rio aos 22 anos e montou seu tabuleiro na Rua Sete de Setembro, no Centro. Além de grande quituteira, ela promovia em sua casa festas dançantes, frequentadas por compositores como Donga, João da Baiana e Sinhô. Numa dessas reuniões nasceu o primeiro samba, ‘Pelo Telefone’ (1916), de Donga e Mauro de Almeida.

“As questões da mulher e do racismo são contemporâneas. A novela é uma oportunidade de olhar para trás e repensar o presente. Mais importante do que mostrar o preconceito é falar da afirmação do negro na sociedade”, diz Camila Pitanga, que na trama vai morar no Morro da Providência, a primeira favela carioca, e sambar. “Na questão da emancipação da mulher, Laura e Isabel defendem a causa mais nas ações do que no discurso. Elas exercem isso no dia a dia. E Isabel trabalha também por uma questão de sobrevivência”, completa Camila.

Outras duas mulheres se destacam no período histórico que a novela abrange: a milionária Eufrásia Teixeira Leite (1850-1930) e a escritora Júlia Lopes de Almeida (1862-1934). No fim do século 19, após a morte dos pais, comerciantes de café em Vassouras, e da irmã, Eufrásia herdou sozinha uma fortuna que lhe garantiu a emancipação econômica numa época em que as mulheres dependiam dos homens. Com talento para os negócios, a sinhazinha, que manteve um longo romance com o diplomata Joaquim Nabuco, multiplicou o patrimônio fazendo vários investimentos. Como não se casou nem teve filhos, ela deixou toda sua riqueza para mendigos da rua onde morou em Paris, entre 1874 e 1928, e instituições da cidade onde nasceu, no Sul Fluminense.

“A luta por liberdade individual vai ser tratada na novela tematizando um conflito bastante contemporâneo: a tentativa de conciliar o amor e o trabalho. Só que, na época, a mulher ainda tinha que conquistar esse espaço como sujeito social”, explica Cláudia Lage.

Romancista e teatróloga, a carioca Júlia Lopes de Almeida expôs em vários artigos de jornais e livros suas ideias favoráveis à República e à abolição na virada do século 19. Mas a marca de sua obra foi principalmente a luta pela educação. Júlia participou das reuniões para a formação da Academia Brasileira de Letras, mas ficou de fora por ser mulher. “Acho que o propósito de discutir o papel da mulher é comparar como era antes e é no presente. Mas, hoje em dia, ainda vejo mulheres com comportamento típico do século 19, que só pensam em se casar, não têm desejo de trabalhar. Não sei se isso é uma opção. Mas acho comodismo não querer se desafiar”, diz Marjorie.

Publicada em O DIA, em 31/08/2012