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quinta-feira, 23 de abril de 2015

Ex-todo-poderoso da Globo, Boni comenta a programação da emissora, que completa 50 anos

Rio - A história da Globo, que completa 50 anos no próximo domingo, quase se confunde com a trajetória de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, o ex-todo-poderoso da emissora. Depois de passar por Tupi e Excelsior, ele chegou em 1967 à tevê da família Marinho, onde criou uma programação bem-sucedida. Das cinco décadas da Globo, Boni sente orgulho de ter participado de 31 anos. Quando deixou o cargo de vice-presidente de Operações, no fim de 1998, para virar consultor, ele custou a assimilar o golpe. 
“Me senti meio que perdendo um filho”, confessa. Hoje, ele ainda assiste à programação do canal com olhar crítico. “Falta à Globo uma certa personalidade”, afirma. Ao avaliar os principais astros, ele conta que faria com que Faustão falasse menos no programa e comenta a saída de Xuxa. “Ela não vai conseguir fazer sucesso na Record”, aposta. 

APRESENTADORES 

Para Boni, artista que não rende mais nem dá audiência como antes deve ficar numa espécie de reserva técnica da Globo, fazendo participações em programas fixos da grade e estrelando especiais uma vez por ano. Ele diz não saber detalhes da saída de Xuxa, mas acredita que foi um mau negócio para ela e para a emissora. “Acho que ela fez uma besteira. Não vai conseguir brigar com a Globo. Se não estava dando audiência na Globo, com todo o poderio da emissora, como ela vai dar audiência na Record? Não vai conseguir fazer sucesso e vai sofrer um desgaste”, prevê. “Difícil a Record arranjar um bom conteúdo para ela”, completa.
Boni diz que Xuxa poderia ter continuado na Globo, seguindo o modelo que ele, antes de deixar o cargo, acertou, por exemplo, com Renato Aragão, que apresenta o ‘Criança Esperança’ e protagoniza especiais de fim de ano. “Não precisa ficar até o fim da carreira. Ele não podia continuar fazendo programa levando bofetada e caindo de cadeira”, avalia.
O ex-todo-poderoso considera Fausto Silva, Ana Maria Braga e Luciano Huck grandes vendedores de produtos. “O que eles anunciam vende. Mas o que fazer com eles em matéria de conteúdo? O problema é conteúdo”, analisa. No caso de Faustão, Boni conta que faria com que o apresentador falasse menos no ‘Domingão’. “Largar o cara apresentando ao vivo um programa de três horas é um desgaste. Eu arranjaria mais produção, para que ele aparecesse menos e o programa não dependesse tanto dele”, adianta.

NOVELAS 

Boni classifica como “uma bobagem” a polêmica em torno do beijo gay das personagens de Fernanda Montenegro e Nathália Timberg em ‘Babilônia’. “As novelas não funcionam ou deixam de funcionar por causa disso. É uma reação passageira. O que determina o sucesso é se a trama está correta ou não”, ensina ele. “Se eu soubesse que o público ia acompanhar a história com interesse, eu não vetaria beijo gay.”
Para a trama ser bem-sucedida, ele diz que a história tem que ser boa e existir um equilíbrio de forças entre vilões e herói (heroína). “A mocinha tem que ser frágil, para que o público possa torcer por ela. Não pode ser tão forte como o vilão.” Desde o início, Boni sabia que as novelas dariam certo e diz que a contratação de Janete Clair no fim dos anos 60 foi fundamental. “Ela criou histórias mais realistas e brasileiras, trouxe um formato e padrão que todo mundo seguiu depois.”
Quando percebia algo errado numa novela, agia rápido e mudava tudo em uma semana, como a Globo fez com ‘Babilônia’. “Fizemos isso em ‘O Dono do Mundo’, foi difícil consertar”, lembra. 

FUTEBOL 

O futebol da Globo não tem sido motivo de alegria para Boni. Apesar de adorar o esporte, ele afirma que não aguenta mais os jogos de toda quarta-feira, por causa da repetição e da baixa qualidade do espetáculo. “A Globo devia continuar perseguindo a questão de fazer uma TV brasileira sem defeitos, sem repetição e sem concessões. Ela não pode transmitir esse futebol chinfrim como obrigação comercial. Podia ser um pouco menos comercial e voltar a ser mais artística”, critica o ex-diretor. “Não acabaria com o futebol, não! Mas só transmitiria jogo bom. Esse de quarta-feira mata!” 

JORNALISMO 

Um dos maiores orgulhos de Boni é o ‘Jornal Nacional’. “Conseguimos criar um telejornal com informação para o país todo, ao vivo. Era um desafio muito grande e um projeto polêmico, porque havia várias maneiras de implantar. Mas não inventamos o modelo, copiamos o da TV americana, que já estava no ar há mais de 20 anos”, conta. “Assisto ao ‘JN’ hoje sempre com olhar crítico. Mas minha paixão na TV é o jornalismo, é o que vai manter a TV aberta funcionando.”
Boni admite que um dos grandes erros foi a cobertura da campanha ‘Diretas Já’ e a edição do debate entre Lula e Collor. “Cobrimos o comício de São Paulo (sem dizer que era a campanha das Diretas) e não continuamos no ‘JN’, porque depois tinha novela. No debate do Collor e Lula, o ‘Jornal Hoje’ fez uma edição favorável ao Lula, e o ‘JN’ foi a favor do Collor a pedido do doutor Roberto. Mas isso não interferiu na eleição”, diz. 

CONCORRENTES 

Apesar de algumas ressalvas, Boni aponta a Globo como a melhor emissora do país, sem concorrente em programação e qualidade. “Ela faz uma ótima televisão e ponto final. O resto não faz. Segue a linha da mesmice. Acho uma pena que a Globo tenha eliminado esses programas que iam ao ar uma vez por mês, como o ‘Casseta & Planeta’, baseado numa fórmula econômica”, diz. “SBT e Record se dão por satisfeitos com o que fazem”, completa.
Boni destaca o excesso de exposição no horário nobre. “O ‘Jornal Nacional’ hoje está com 40 minutos, antigamente era 30. A novela tem uma hora de duração, antes era 40. O horário nobre da TV está com uma hora e 40 minutos, ocupado apenas por dois programas. Isso aí significa exposição das pessoas”, diz ele, que defende o descanso para os artistas de toda a programação.
“A televisão é uma máquina que consome o talento das pessoas que estão no vídeo. A preocupação em preservar atores, apresentadores, diretores e autores deve ser constante. É um desgaste brutal”, frisa. 

PROGRAMAÇÃO 

Nos primeiros anos na Globo, Boni não recebia salário. Fez um contrato de risco. Ao lado do diretor Walter Clark, traçou uma meta de montar a rede, criar uma programação de qualidade e colocar a emissora entre as primeiras do país em cinco anos. “Conseguimos em três”, orgulha-se. O famoso “padrão Globo de qualidade”, garante ele, foi um método de trabalho seguido com rigor. “Às vezes, quando vejo algum deslize na programação, sofro muito, porque tenho medo que as pessoas joguem fora isso, não é apenas um padrão técnico, é uma questão artística”, ensina.
Ao comparar a Globo de hoje com a de seu tempo, ele diz: “Os recursos tecnológicos de hoje não existiam naquela época. Mas vejo que o cuidado artístico era maior no meu tempo, talvez porque hoje o volume de produção seja maior.”
Boni admite que era controlador e explica que esse poder dava personalidade à programação. “Tinha uma equipe e filtrava as ideias de todos, mas concentrava a decisão. Isso dava personalidade à Globo, a emissora tinha uma cara. Se era boa ou ruim, isso se devia aos meus erros e acertos”, diz. Mas, atualmente, ele acha que a emissora perdeu essa personalidade. “Falta uma cara própria em todas as áreas de programação. Acho que o público sente essa necessidade de que a emissora tenha uma marca intensa”, diz ele, que jamais perde o hábito de criticar. “É uma deformação profissional”, diverte-se.

Memorandos internos de Boni na Globo vão virar livro 

Depois de lançar o ‘Livro do Boni’ em 2011, contando sua trajetória na televisão e particularmente sua história de sucesso na Globo, Boni já tem ideia para escrever um segundo livro, ainda sem previsão de lançamento. Recentemente, ele recebeu de sua antiga emissora um calhamaço de memorandos que produziu em 31 anos de trabalho. 
"O CDOC (Centro de Docmentação da TV Globo) guardou tudo. E a Globo me deu de presente. São cerca três 3 mil memorandos que escrevi, alguns com textos instrutivos, em que falo como tem que fazer um programa ou como um câmera tem que enquadrar uma cena”, conta.
Boni está fazendo uma triagem dos documentos. “Li uns 20 ou 30, dava para chorar. Eu não me lembrava de algumas coisas. Tem um memorando sobre cameraman, dizendo para os caras como tinha que travar a câmera, que não podia balançar, que não podia acompanhar a cabeça do cara em movimento. É engraçadíssimo”, diverte-se.
Dono da TV Vanguarda, afiliada da Globo, ele esclarece que 70% da programação é de conteúdo da sua antiga emissora, enquanto os outros 30% são de produção local. “Dá para fazer experiências interessantes, criar um contato com a comunidade. Somos um canal com 100% digital. Temos diversas inovações. O manual de implantação do digital da Vanguarda, por exemplo, é adotado pela Globo”, revela.
Boni não espera receber homenagens nos 50 anos da Globo. “Nem gosto. A melhor homenagem que recebo é quando as pessoas fazem o que sonhei e fazem bem feito”, explica. “Tenho orgulho de ter criado um mercado de trabalho para atores, diretores e autores brasileiros”, completa. Aposentadoria não está nos seus planos. “Quero morrer fazendo televisão”, diz, aos 79 anos.

Publicado em 23/04/2015 – O DIA

Foto de André Luiz Mello

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

QUEM VAI BOMBAR EM 2012

Juliana Paes - Escolhida para o papel que foi de Sonia Braga, a atriz parece ser a opção acertada para protagonizar o remake de Gabriela, escrito por Walcyr Carrasco. Talento, carisma e curvas ela tem. Vamos ver se a musa confirma o jeito malicioso, o aroma de cravo e o sabor de canela que a personagem pede.

Fátima Bernardes - O novo programa da ex-apresentadora do Jornal Nacional deve dar uma arejada nas manhãs da Globo. Se reduzir o tempo de Ana Maria Braga e do Bem Estar, já está valendo!


BBB 12 - Quando a gente pensa que o reality já deu tudo o que tinha que dar, o diretor Boninho sempre lança uma novidade e injeta fôlego no formato. É isso o que se espera da nova edição. Além de uma seleção de participantes que valham a pena assinar o pay-per-view.

Mulheres Ricas - São cinco mulheres - a empresária Val Marchiori, a socialite Narcisa Tamborindeguy, a arquiteta Brunete Fraccaroli, a joalheira Lydia Sayeg e a piloto de Fórmula Truck Débora Rodrigues - que só têm em comum uma gorda conta bancária. O programa, um misto de reality e documentário, na Band, vai mostrar que, se o dinheiro não traz felicidade, ao menos serve para comprar tudo do bom e do melhor. Ou como diz a extravagante Val Marchiori: "Dinheiro não traz felicidade. Mas leva pra chorar em Paris! De preferência na Chanel". Frases como esta devem garantir a diversão!

Avenida Brasil - A novela de João Emanuel Carneiro conta a história do jogador de futebol Tufão, vivido por Murilo Benício. No elenco, Débora Falabella, Débora Bloch, Adriana Esteves, Cauã Reymond, Carolina Ferraz, Alexandre Borges, Ísis Valverde, Glória Menezes e Tony Ramos, entre outros. Depois do sucesso da novela A Favorita e da séria A Cura, o novo texto do autor chega em abril cercado de muita expectativa.

Nanda Costa - A atriz de 25 anos vai ter sua primeira grande oportunidade como protagonista na novela de Glória Perez, ainda sem título, no segundo semestre deste ano. Nanda foi a Lilica, de Cordel Encantado, e a Soraia, de Viver a Vida. A torcida é para que ela dê conta do recado.

Carrossel - O remake da novela mexicana está previsto para estrear no segundo semestre no SBT. Isto se a emissora conseguir pacificar os bastidores da produção, agitados com demissões e gravações interrompidas. No elenco, Rosane Mulholland como a professora Helena. Resta saber como a exuberante Lívia Andrade, como Susana (rival da protagonista), e a menina prodígio Maisa, como a aluna Valéria, vão se sair sem Silvio Santos por perto para cutucá-las.

Casseta & Planeta - Depois de ficar um ano fora do ar, o humorístico volta com Maria Melilo, ex-BBB, e Miá Mello, ex-Legendários. Se Maria representar o papel de sonsa e gostosa sem noção que a fez ganhar R$ 1 milhão no reality, existe boa chance de dar certo. Quanto a Miá, espera-se que ela não repita a boboca Teena, que interpretava no programa da Record e só irritava o telespectador.

Dercy de Verdade - Se a microssérie sobre a vida da comediante desbocada mantiver o nível das biografias anteriores, vai ser mais um sucesso. A assinatura do texto por Maria Adelaide Amaral, que também escreveu Dalva e Herivelto, já é um aval de qualidade. Vamos ver como Heloísa Périssé e Fafy Siqueira se saem no papel em diferentes fases da vida de Dercy Gonçalves.

Brado Retumbante - Depois de estourar como o capitão Herculano, de Cordel Encantado, Domingos Montagner tem a chance de mostrar que é mais do que um galã rústico. Na minissérie, ele interpreta um senador que acaba assumindo o cargo de presidente. E tem como parceira a bela Maria Fernanda Cândido, que se dá ao luxo de escolher seus papéis. Isso é pra quem pode, né?!?!

Rei Davi - Mais uma minissérie bíblica da Record, com Leonardo Brício no papel de Davi. A emissora gasta milhões nesse tipo de produção, que faz um trabalho esforçado de reconstituição de época e efeitos especiais mas costuma pecar pelo desempenho de alguns protagonistas. Sem falar que o retorno em audiência é fraco. Mas não custa dar mais um crédito...