terça-feira, 4 de setembro de 2012

Mulheres à frente de seu tempo em 'Lado a Lado'

Numa época em que a mulher era criada para se casar e ter filhos, ficava em casa bordando e não podia aprender a ler e escrever, elas desafiaram o preconceito, as normas vigentes e foram à luta pelo direito de igualdade com os homens. Com ideias modernas demais para o final do século 19 e início do 20, as brasileiras Nísia Floresta, Chiquinha Gonzaga, Eufrásia Teixeira Leite, Tia Ciata e Júlia Lopes de Almeida fizeram história.

“Todas essas mulheres foram inspirações para a gente, contribuíram com as suas trajetórias e o modo como enfrentaram as limitações impostas a elas”, diz Claudia Lage, coautora com João Ximenes Braga de ‘Lado a Lado’, próxima novela das 18h, que estreia dia 10, na Globo.


A luta pelos direitos da mulher é tema do novo folhetim, ambientado no Rio do início do século 20. As protagonistas Laura (Marjorie Estiano), de família de barões do café, e Isabel (Camila Pitanga), filha de um ex-escravo, não se conformam com o único destino reservado a elas: o casamento. A inspiração de Laura é a escritora potiguar Nísia Floresta (1810-1885), considerada a precursora dos ideais feministas no Brasil. Em 15 livros, Nísia defendeu uma educação igualitária entre homens e mulheres, além de ter fundado no Rio um colégio revolucionário para meninas.

“A mulher não estudava nem trabalhava. Só existia para servir o marido e reproduzir. Mas Laura é mais libertária. E, para ela, Nísia é uma grande referência”, conta Marjorie, que aponta a mãe, Marilene, 61 anos, como exemplo. “É muito ativa, criou os irmãos e foi trabalhar. Ela tem características dessas mulheres de que estamos falando. Se formou e agora está abrindo um consultório de psicologia”.

O Rio efervescente mostrado na novela também é cenário de outra mulher à frente de seu tempo: a compositora e pianista carioca Chiquinha Gonzaga (1847-1935). Primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil, ela participou da campanha abolicionista e criou a primeira marchinha carnavalesca, ‘Ô Abre Alas’ (1899). Amiga de Nair de Tefé, mulher do presidente Hermes da Fonseca, a maestrina escandalizou a elite e o governo ao tocar um maxixe, considerada uma música vulgar, durante um recital no Palácio do Catete, em 1914.

O surgimento das favelas, a afirmação dos negros e a invenção do samba também são temas de ‘Lado a Lado’. Foi nesse contexto que despontou a baiana Tia Ciata (1854-1924), cozinheira e mãe de santo que chegou ao Rio aos 22 anos e montou seu tabuleiro na Rua Sete de Setembro, no Centro. Além de grande quituteira, ela promovia em sua casa festas dançantes, frequentadas por compositores como Donga, João da Baiana e Sinhô. Numa dessas reuniões nasceu o primeiro samba, ‘Pelo Telefone’ (1916), de Donga e Mauro de Almeida.

“As questões da mulher e do racismo são contemporâneas. A novela é uma oportunidade de olhar para trás e repensar o presente. Mais importante do que mostrar o preconceito é falar da afirmação do negro na sociedade”, diz Camila Pitanga, que na trama vai morar no Morro da Providência, a primeira favela carioca, e sambar. “Na questão da emancipação da mulher, Laura e Isabel defendem a causa mais nas ações do que no discurso. Elas exercem isso no dia a dia. E Isabel trabalha também por uma questão de sobrevivência”, completa Camila.

Outras duas mulheres se destacam no período histórico que a novela abrange: a milionária Eufrásia Teixeira Leite (1850-1930) e a escritora Júlia Lopes de Almeida (1862-1934). No fim do século 19, após a morte dos pais, comerciantes de café em Vassouras, e da irmã, Eufrásia herdou sozinha uma fortuna que lhe garantiu a emancipação econômica numa época em que as mulheres dependiam dos homens. Com talento para os negócios, a sinhazinha, que manteve um longo romance com o diplomata Joaquim Nabuco, multiplicou o patrimônio fazendo vários investimentos. Como não se casou nem teve filhos, ela deixou toda sua riqueza para mendigos da rua onde morou em Paris, entre 1874 e 1928, e instituições da cidade onde nasceu, no Sul Fluminense.

“A luta por liberdade individual vai ser tratada na novela tematizando um conflito bastante contemporâneo: a tentativa de conciliar o amor e o trabalho. Só que, na época, a mulher ainda tinha que conquistar esse espaço como sujeito social”, explica Cláudia Lage.

Romancista e teatróloga, a carioca Júlia Lopes de Almeida expôs em vários artigos de jornais e livros suas ideias favoráveis à República e à abolição na virada do século 19. Mas a marca de sua obra foi principalmente a luta pela educação. Júlia participou das reuniões para a formação da Academia Brasileira de Letras, mas ficou de fora por ser mulher. “Acho que o propósito de discutir o papel da mulher é comparar como era antes e é no presente. Mas, hoje em dia, ainda vejo mulheres com comportamento típico do século 19, que só pensam em se casar, não têm desejo de trabalhar. Não sei se isso é uma opção. Mas acho comodismo não querer se desafiar”, diz Marjorie.

Publicada em O DIA, em 31/08/2012

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

FDP: série mostra que vida de juiz de futebol não é mole


Rio -  Sem salário milionário nem fama, ele é o profissional mais xingado do futebol e sua mãe é uma das que mais sofrem. A série ‘FDP’, sigla que representa a forma ‘carinhosa’ pela qual os torcedores chamam o árbitro do jogo, vai contar em 13 episódios a saga de Juarez Gomes da Silva, interpretado por Eucir de Souza, um juiz que sonha apitar uma Copa do Mundo. A produção da Pródigo Filmes estreia no próximo domingo,às 20h30, no canal HBO.

“Estudei as regras e voltei a assistir futebol”, conta o paulista Eucir, 42 anos, que torcia pelo Palmeiras e hoje garante não ter time. “Quando ia ao estádio, não me lembro de xingar o juiz”, completa.

Ao fazer laboratório com o ex-árbitro da Fifa Sálvio Spínola, Eucir sentiu na pele como é ser achincalhado. “Acompanhei jogos que o Sálvio apitou pela Taça Libertadores no ano passado. Chegava ao estádio com ele e os torcedores achavam que eu também era juiz. Me xingavam e faziam piadinhas sobre a minha mãe ”, diverte-se o ator.

Durante as gravações, Eucir também virou alvo de ofensas: “Os figurantes sabiam que eu era um ator, mas tinha um cara que não parava de me xingar nem quando as câmeras paravam de filmar”.

Na série, enquanto a carreira deslancha, a vida pessoal de Juarez é tumultuada: ele disputa a guarda do filho com a ex-mulher, Manuela (Cynthia Falabella), a quem traiu e transmitiu doença venérea, e tem um caso com a bela bandeirinha Vitória (Fernanda Franceschetto). “No primeiro episódio, ele sonha com mulheres”, adianta.

Publicado em O DIA - 21/08/2012

Os 50 anos de carreira de Regina Duarte em exposição


Rio -  Em comemoração aos seus 50 anos de carreira, Regina Duarte, 65, ganha uma exposição que refaz sua trajetória na TV, no cinema e no teatro. Com curadoria de Ivan Izzo, a mostra ‘Espelho da Arte — A Atriz e Seu Tempo’ será inaugurada amanhã, às 19h, para convidados, no Centro Cultural Correios, no Centro, e abrirá ao público na quarta-feira, ao meio-dia.

Regina cedeu todo o seu acervo de fotos, figurinos e objetos pessoais, mas ficou emocionada ao ver uma peça em especial. “Foi um vestido azul da Viúva Porcina (sua personagem em ‘Roque Santeiro’), feito de lantejoulas, porque convenci minha mãe a usá-lo no dia em que fui receber o cetro de rainha do Carnaval das mãos da Dercy Gonçalves. Me emocionou muito”, conta.

Dividida por décadas, a exposição segue ordem cronológica dos trabalhos da atriz e está disposta em ‘casas-cenários’, ambientes que reproduzem os lares brasileiros e fazem referência aos estúdios de TV. Os objetos cenográficos, como geladeira, fogão e televisão, são feitos de papelão, material 100% reciclável.

Convencida a montar sua exposição após ver a mostra que marca os 30 anos da morte de Elis Regina, a intérprete da Maria do Carmo, de ‘Rainha da Sucata’, dedica o evento aos fãs. “Adoro o título ‘Namoradinha do Brasil’, porque é um símbolo da relação de carinho que se estabeleceu entre o público e eu”, comemora ela, que voltará às novelas no segundo semestre de 2013.

Após percorrer o País nos próximos dois anos, a exposição será encerrada em Franca, cidade natal da atriz, onde a casa que ela morou está sendo reformada para virar centro cultural e abrigar o seu acervo.

Publicado em O DIA - 19/08/2012

sábado, 26 de maio de 2012

DESASTRE NA JOVEM GUARDA

Quando a gente ouve falar em homenagem à Jovem Guarda no Som Brasil, da Globo, vem logo à cabeça uma festa de arromba - com trocadilho, claro! Animação, iê iê iê, muita dancinha da época... E o que temos? Três grupos e um dupla que nenhum antidrepressivo no mundo consegue tirar o telespectador do fundo do poço. Sem falar, nos figurantes, quase dormindo nas arquibancadas improvisadas no cenário, na fotografia sem criatividade (a luz chega a "estourar" num dos grupos musicais, deixando aquele clarão) e a edição quase tão lenta quanto os convidados. No trio Stop Play de Moon, a cantora-modelo Geanine Marques, estilo Mortícia Adams versão loura, parece que vai desmaiar a qualquer momento. Ela, seu guitarrista imexível, e o baterista, que parece saído de um grupo tipo Gang 90 & as Absurdetes, demonstram uma tristeza incrível "cantando" Rua Augusta! Eu só me perguntava: "Em que momento vai entrar o Eduardo Araújo para salvar isso?". E nada. Eles ainda sofreram mais em A Volta e Eu Daria a Minha Vida. Mil vezes a Martinha (olha a que ponto cheguei!). Olho de relance e acho que Maria Gadú está no palco. Não: é Pe Lanza, do Restart, cantando que é O Bom. Isso é que é falta de noção! Depois, Pe Lu, com o rosto empapuçado de pancake três tons acima, ataca com Era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rollings Stones, acompanhado pelo baterista Thomas, que também erra a época "homenageada" e vem de Rod Stewart anos 1980. O único atenuante é a participação final de Jerry Adriani, arrasando em Doce Doce Amor, dando um off no Restart. Mas não fica só nisso. Joelma, do Calypso, radicaliza com um top de couro vermelho, uma faixa de voil preto, simulando uma saia, e botas de cano alto. Quase não consegui entender o que ela cantava, ora "corria" com as palavras, ora engolia outras... Mas pela melodia percebi que eram Devolva-me, da Lilian, e um pout-pourri (bendita legenda!) com Parei na Contramão, Eu Sou Terrível e É Proibido Fumar. Joelma é salva pelo gongo, quando Wanderléa rouba a cena com Pare o Casamento e Prova de Fogo. Houve algo que valesse a pena? Marcelo Jeneci  levou bem Gatinha Manhosa e Esqueça. O multi-instrumentista é bom e deveria abrir mão da inexpressiva parceira, Laura Lavieri. Tão bom que protagonizou o melhor momento do programa: cantar Alguém na Multidão com os maravilhosos Golden Boys. Esses, sim, animados, em ritmo de festa, de Jovem Guarda, enquanto os outros participantes pareciam saídos de algum filme da série A Volta dos Mortos Vivos. (SM)

quinta-feira, 15 de março de 2012

LOUCO POR ELAS: UMA BANANA DIFÍCIL DE DESCASCAR

Séries e programas em episódios com famílias, muito entra e sai, comédia de erros já estão batidos na nossa TV. Mas a insistência é sempre uma tentativa de abocanhar uma fatia do público comodista ou que fica na expectativa de que, com o passar do tempo, "vai melhorar" ou porque os outros canais não conseguem ser apetitosos no horário. Com chamadas que pareciam de uma sitcom interessante, Louco por elas estreou na Globo, mostrando muito do mesmo, ou seja, sem novidades.


Logo de cara, achei que estava assistindo a uma trama de Carlos Lombardi, com crianças sempre prodígios, que citam Freud, assim como Theodora (Laura Barreto), e que, em alguns momentos, só conseguia declamar suas falas, sem interpretá-las. E adultos com textos "inteligentes"/"engraçadinhos", soando forçados.... Mas era Louco por Elas. Eduardo Moscovis, sem estofo e jogo de cintura para o personagem, agrada ao público feminino pelo visual. E só. A tentativa de tiradas engraçadas, em edição ágil, não ajudou o galã, que, em muitos momentos, lembrou-me Wladimir Brichta em seu táxi, em Faça Sua História. Fiquei penalizada por Glória Menezes, que parecia mais perdida do que cego em tiroteio. Comédia leve, clima de vaudeville, não mostram seu brilho. E fazer sua Violeta passar por velhinha com dificuldades de memória e descolada, ao mesmo tempo, resvalou numa caricatura e na total falta de aproveitamento de uma atriz que já fez papéis de tanta relevância na TV brasileira. A filha do diretor de núcleo da Globo Guel Arraes, Luíza, ficou alguns tons acima da adolescente rebelde - sem causa. Sua Bárbara me remeteu à personagem de Bianca Comparato, em Belíssima, também exagerada, a princípio, mas que foi ganhando contornos mais palatáveis com o desenrolar da trama de Silvio de Abreu. E Deborah Secco, com 10 quilos a menos para livrar-se do estigma Natalie Lamour? Bom, Deborah Secco é sempre Deborah Secco... Pelo menos só apareceu uma vez de sutian e calcinha! Um avanço... (SM)

terça-feira, 6 de março de 2012

POBRE QUER VER MULHERES RICAS... E RIDÍCULAS!

Não houve um suspiro no docu-reality Mulheres Ricas que não fosse combinado. A riqueza ali estava no excesso de ridículo, que levou ao sucesso de comentários nas redes sociais e nas rodinhas de amigos, já que a audiência não passou de 4, 5 pontos no Ibope. Vamos lá: quem não gosta de ver pessoas se expondo em situações risíveis, patéticas, regadas a champanhe, em carrões ou aviões? A verdade do "mundo real" aliada à rotina é tão cansativa... A falta de dinheiro, então... Assim, depois de um dia de trabalho (muitas vezes, mal remunerado) por que não passar meia hora vendo cinco mulheres dispostas a servirem de deboche público, mostrando o que são e - o melhor - o que não são e não têm? O over deu o tom de Mulheres Ricas. E as fofocas também. A elegância passou longe e as participantes desciam do salto com a maior facilidade. Ou seja, tudo que o público quer ver. E a TV mostra, aproveitando-se do binônimo muito comum à maioria que acompanha ficção:  projeção e identificação com os personagens. Pensemos nos telespectadores de baixo poder aquisitivo. Como não se interessar por uma mulher como Valdirene Aparecida Merchiori, que trabalhou na roça quando criança, tornou-se rica (sem entrar no mérito do processo) e hoje é capaz dar uma festa de aniversário "caríssima e chiquérrima"? E que, ainda por cima, alfineta e ri das "colegas" de programa, dá ataques de grosserias (vingando-se dos que deve ter sofrido durante sua vida de "pobre") e adoooooora uma futilidade? Como não amar os excessos das mulheres ricas, que entravam em lojas lindas e só mandavam colocar tudo nas sacolas, indo embora sem pagar nada? Para nós, que conhecemos televisão e sabemos como funcionam as coisas, houve várias permutas, as ideias e execução de passeios/viagens foram da produção da atração, muitos empréstimos (joias, aviões, roupas etc) pelos empresários interessados na visibilidade do programa e assim por diante. Mas para quem queria ver boniteza, riqueza e mergulhar num mundo distante do seu ou apenas se divertir às custas das exageradas mulheres ricas foi um prato feito. Opa, feito, não... À la carte. Com muiiiiito champagne francês, porque, hello, a ideia era embebedar o sonho do telespectador. Joãosinho Trinta sabia muito bem o que dizia: pobre gosta de riqueza. E nem precisa ter glamour, requinte... Muito menos ser de verdade! Por isso, não há como levar a sério Mulheres Ricas, nem tecer teses mirabolantes. O negócio é o seguinte: tá ruim pra todo mundo, então bora ver coisa bonita e dar muita risada? (SM)

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Dr. Rey, o carimbador maluco do Carnaval

Ele apertou o silicone de uma mulata, riscou o traseiro de outra e foi até o chão, chão, chão com uma gordinha, que pediu, pelo amor de Deus, uma lipo, de graça, porque é pobre. Dr. Robert Rey, mais conhecido como o 'Dr. Hollywood' (série exibida pela RedeTV!), foi disparado a figuraça do Carnaval na TV. No já tradicional 'Bastidores do Carnaval', a cobertura mais trash da folia momesca, o cirurgião plástico das estrelas deu show de simpatia e exibicionismo. Em plena avenida, analisou bumbuns, peitos e barriguinhas de modelos e passistas como se estivesse na segurança de seu consultório em Beverly Hills, onde cobra até 5 mil dólares por uma consulta.

Quando aprovava a anatomia de uma das mulheres analisadas, metia um carimbo de 'Aprovada - Rey in Rio'. "Assim você vai acordar a minha anatomia! Assim você acorda o Mr. Happy", brincou ele com uma gostosona. Até sua parceira de show, Mirella Santos, foi submetida à avaliação do carimbador maluco, e passou no teste do bumbum!

Com a chatíssima transmissão do desfile das escolas de samba do Rio, na Globo, só mesmo Dr. Rey e a trupe da RedeTV!, comandada por Nelson Rubens e Flávia Noronha, para garantir a diversão.

Além do cirurgião exibido, Tiago Barnabé surpreendeu com uma imitação da Valéria Bandida, do 'Zorra Total': a Vandete. O humorista, que surgiu há três anos fazendo a Luciana Gimenez Cover, criou uma personagem com trejeitos que não deixam nada a dever à original de Rodrigo Sant'Anna. Num cenário que reproduzia um ônibus, ele fez piadas com modelos, destaques e colegas da emissora. Tudo de improviso. Bandido!

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Carnaval no SBT: festival de erros na Sapucaí

Com os direitos de transmissão do desfile das escolas do grupo de acesso do Rio, o SBT deveria caprichar na apresentação para atrair o público. Mas Eliana parece estar com raiva de ter sido convocada, Carlos Nascimento não sabe onde ficam concentração e dispersão, Arlindo Grund só dá bola fora sobre figurinos e adereços. Falta identificação de destaques, rainhas de bateria... Enfim, um festival de erros. 
E o apresentador do SBT Rio, Rogério Forcolen – misto de Wagner Montes com Ratinho -, que joga o sapato na câmera quando está irritado, é o repórter especial da transmissão. Nada a ver com nada!


quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

BBB 12: Simulação de sexo debaixo do edredom? Me engana que eu gosto

Deixa eu ver se entendi: Daniel e Monique se bolinaram debaixo do edredom, ele não manteve a ereção nem ejaculou, mas os dois simularam sexo porque acharam uma boa estratégia a formação de casal no BBB 12... Hã-ham! O que mais os dois tiveram que "decorar" pra dizer à polícia? Parece texto e roteiro de quinta categoria, encomendado a um autor decadente.
A versão deles sobre o caso do suposto estupro é mais um capítulo ridículo de uma polêmica que a Globo tentou varrer pra debaixo do tapete desde o início. O depoimento de Monique tirou o peso sobre os ombros de Daniel, suspeito de ter cometido abuso sexual, mas desviou todo o foco para ela e deixou dúvidas, sim, sobre o seu comportamento.
Primeiro, ela disse a Boninho que as carícias foram consentidas. No dia seguinte, mudou o discurso e ficou em cima do muro, afirmando que havia apagado e não lembrava de nada. No depoimento à polícia, negou que tenha feito sexo. Dormindo ou acordada, Monique parece ter uma memória muito confusa.
Se o rala e rola foi consensual, então por que apenas Daniel foi expulso? Primeiro, a Globo tentou abafar o caso. Depois, minimizou. Mas perdeu o controle quando a polêmica ganhou as redes sociais. Botar o modelo pra fora da casa foi uma resposta - talvez precipitada - aos protestos. A produção do programa alegou "grave comportamento inadequado", sem falar em estupro num primeiro momento - um cuidado para evitar um possível processo.
Mas o fato é que a emissora julgou e condenou sumariamente Daniel antes mesmo de a polícia concluir as investigações. E agora? O cara saiu com má fama, sem dinheiro, e ainda revelou que não manteve a ereção... Não é à toa que tem muita gente querendo que ele retorne ao programa ou que Monique vaze também. Mas, se o que aconteceu debaixo da coberta foi mesmo simulação de sexo, como eles disseram, os dois deviam ganhar o Oscar, porque a atuação de ambos convenceu.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

BBB 12: até os erros são repetidos

Quando é que você sabe que uma nova edição do BBB começou? Fácil: Basta ver e ouvir um bando de fortões e gostosas histéricos gritando "uhuuu" ao invadirem a casa onde vão passar os próximos três meses. Entrar no reality show da Globo aos berros parece um pré-requisito, um ritual que se repete desde a primeira edição. A estreia do BBB 12 foi como filme da Sessão da Tarde: já passou trocentas vezes.
Mas bem que o diretor Boninho tentou inovar na apresentação dos 16 participantes. Em vez de mostrá-los juntos com suas famílias, recebendo a confirmação de seus nomes para o programa, exibiu clipes com perfis "engraçadinhos", nos quais brothers e sisters faziam uma dancinha e "atuavam" como se estivessem numa história em quadrinhos. Por fim, cada um recebeu um rótulo: o gato, o galã, a princesa, a pilhada, a nerd, o bicho do mato, o ogro... Será que os apelidos vão pegar? Tenho minhas dúvidas. Na verdade, achei tudo meio mais ou menos.
Aliás, quem não deve ter achado muita graça de nada foi Pedro Bial. Um tanto irritadiço, o apresentador reclamou da posição do monitor, que não estava à sua frente, e foi flagrado com cara de poucos amigos logo após a direção cortar para ele no estúdio e não para os participantes na casa - ele havia acabado de conclamar o público a dar uma espiadinha! Como Bial mesmo disse: são apenas 10 anos no ar... Mas os erros em programas ao vivo fazem parte do pacote.
Só espero que a direção tenha mais criatividade nas próximas provas de resistência. Colocar os participantes dentro de um carro para disputar a imunidade, como na primeira edição, foi muita falta de imaginação. Afinal, a graça do reality é justamente ver os concorrentes passando perrengues e batendo boca. De preferência, em provas inéditas!
Ainda é cedo para arriscar palpites sobre favoritos. Mas já dá pra dizer, por exemplo, que a exuberante Fabiana fala demais, faz tudo para chamar a atenção. Se a "personalidade" da moça vai cair nas graças do público e agradar aos companheiros de confinamento, só os paredões vão dizer. E a estudante Jakeline? Chorou! Saudades de seu casal de... galináceos! Coisa mais ridícula. Já pode ligar pra eliminá-la?

PERERECA DA DERCY BRILHA NA MICROSSÉRIE

A perereca da vizinha tá presa na gaiola... Está nada! Até a próxima sexta-feira ela vai voar livremente por Dercy de Verdade, na Globo. Nossa, quantas saudades se misturaram na minha mente, enquanto via a microssérie de Maria Adelaide Amaral! Minha mãe cantando a Perereca da Dercy (epa, entrei no clima...), meu avô, contemporâneo da atriz, em Santa Maria Madalena, contando, como a cidade tinha vergonha da filha famosa quando ela foi escorraçada de lá, e como dona Margarida (mãe da ainda Dolores) sofreu nas mãos de Seu Manuel - o que, aliás, poderia ter sido mais bem explicado no episódio de estreia. E eu ficava meio tensa, porque vovô dizia que Seu Manuel, alfaiate afamado na cidade, podia ser "malvado como o quê". E o meu pai era... alfaiate!(risos). E, assim, desde menina me "solidarizei" com Dercy e comecei a admirá-la. Nas sessões de filmes brasileiros, que a Globo e a TV Brasil (antiga TVE) mantinham nas priscas eras eram apresentados Cala a Boca, Etelvina! (cujo trecho foi mostrado na microssérie), Minervina Vem e Entrei de Gaiato (com o maravilhoso Zé Trindade, que virou desafeto da Dercy e acabaram fazendo um filme sem se falar), eu não perdia um. Pude revê-los em DVD e no Canal Brasil. Dercy, para mim, não era a "velha desbocada, que já estava esclerosada", como muita gente rotulava. Era a mulher batalhadora de Madalena, que correu atrás do que queria, que sugou cada segundo da vida e, como ela mesmo disse: "Não sabia pra onde ia, só sei que fui e cheguei". Isso ficou bem claro em Dercy de Verdade, com bela atuação de Heloísa Périssé. E a sempre ágil direção de Jorge Fernando. O que me fez voltar no tempo novamente. Lembrei-me do misto de respeito e paciência que Jorginho tinha ao dirigir Dercy Gonçalves, na novela Deus nos Acuda (1992). Ela já não conseguia ficar muito tempo de pé, nem decorar o texto (um amigo dos tempos da Atlântida, o ator Luiz Carlos Braga, soprava todas as falas para o ponto eletrônico da atriz), mesmo assim, colocava cacos engraçadíssimos e estava sempre de bom humor. Depois de meses cobrindo a novela quase diariamente, nos estúdios da Herbert Richers, no Rio, um dia Dercy me "descobriu" e gritou: "Você aí! Vai escrever pra falar bem de mim ou pra me esculhambar?". Antes de eu dizer da admiração que tinha pelo trabalho, pela carreira dela, ouvi: "Também não me interessa! Escreva o que quiser! Já fui muito esculhambada, tá? Mas o povo me ama!". Taí, Dercy: outro texto meu sobre você. E, só pra lembrar, eu sou povo também!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

QUEM VAI BOMBAR EM 2012

Juliana Paes - Escolhida para o papel que foi de Sonia Braga, a atriz parece ser a opção acertada para protagonizar o remake de Gabriela, escrito por Walcyr Carrasco. Talento, carisma e curvas ela tem. Vamos ver se a musa confirma o jeito malicioso, o aroma de cravo e o sabor de canela que a personagem pede.

Fátima Bernardes - O novo programa da ex-apresentadora do Jornal Nacional deve dar uma arejada nas manhãs da Globo. Se reduzir o tempo de Ana Maria Braga e do Bem Estar, já está valendo!


BBB 12 - Quando a gente pensa que o reality já deu tudo o que tinha que dar, o diretor Boninho sempre lança uma novidade e injeta fôlego no formato. É isso o que se espera da nova edição. Além de uma seleção de participantes que valham a pena assinar o pay-per-view.

Mulheres Ricas - São cinco mulheres - a empresária Val Marchiori, a socialite Narcisa Tamborindeguy, a arquiteta Brunete Fraccaroli, a joalheira Lydia Sayeg e a piloto de Fórmula Truck Débora Rodrigues - que só têm em comum uma gorda conta bancária. O programa, um misto de reality e documentário, na Band, vai mostrar que, se o dinheiro não traz felicidade, ao menos serve para comprar tudo do bom e do melhor. Ou como diz a extravagante Val Marchiori: "Dinheiro não traz felicidade. Mas leva pra chorar em Paris! De preferência na Chanel". Frases como esta devem garantir a diversão!

Avenida Brasil - A novela de João Emanuel Carneiro conta a história do jogador de futebol Tufão, vivido por Murilo Benício. No elenco, Débora Falabella, Débora Bloch, Adriana Esteves, Cauã Reymond, Carolina Ferraz, Alexandre Borges, Ísis Valverde, Glória Menezes e Tony Ramos, entre outros. Depois do sucesso da novela A Favorita e da séria A Cura, o novo texto do autor chega em abril cercado de muita expectativa.

Nanda Costa - A atriz de 25 anos vai ter sua primeira grande oportunidade como protagonista na novela de Glória Perez, ainda sem título, no segundo semestre deste ano. Nanda foi a Lilica, de Cordel Encantado, e a Soraia, de Viver a Vida. A torcida é para que ela dê conta do recado.

Carrossel - O remake da novela mexicana está previsto para estrear no segundo semestre no SBT. Isto se a emissora conseguir pacificar os bastidores da produção, agitados com demissões e gravações interrompidas. No elenco, Rosane Mulholland como a professora Helena. Resta saber como a exuberante Lívia Andrade, como Susana (rival da protagonista), e a menina prodígio Maisa, como a aluna Valéria, vão se sair sem Silvio Santos por perto para cutucá-las.

Casseta & Planeta - Depois de ficar um ano fora do ar, o humorístico volta com Maria Melilo, ex-BBB, e Miá Mello, ex-Legendários. Se Maria representar o papel de sonsa e gostosa sem noção que a fez ganhar R$ 1 milhão no reality, existe boa chance de dar certo. Quanto a Miá, espera-se que ela não repita a boboca Teena, que interpretava no programa da Record e só irritava o telespectador.

Dercy de Verdade - Se a microssérie sobre a vida da comediante desbocada mantiver o nível das biografias anteriores, vai ser mais um sucesso. A assinatura do texto por Maria Adelaide Amaral, que também escreveu Dalva e Herivelto, já é um aval de qualidade. Vamos ver como Heloísa Périssé e Fafy Siqueira se saem no papel em diferentes fases da vida de Dercy Gonçalves.

Brado Retumbante - Depois de estourar como o capitão Herculano, de Cordel Encantado, Domingos Montagner tem a chance de mostrar que é mais do que um galã rústico. Na minissérie, ele interpreta um senador que acaba assumindo o cargo de presidente. E tem como parceira a bela Maria Fernanda Cândido, que se dá ao luxo de escolher seus papéis. Isso é pra quem pode, né?!?!

Rei Davi - Mais uma minissérie bíblica da Record, com Leonardo Brício no papel de Davi. A emissora gasta milhões nesse tipo de produção, que faz um trabalho esforçado de reconstituição de época e efeitos especiais mas costuma pecar pelo desempenho de alguns protagonistas. Sem falar que o retorno em audiência é fraco. Mas não custa dar mais um crédito...

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Fogueira das vaidades na vinheta de fim de ano da Globo

Era para ser uma mensagem de paz, mas virou uma fogueira de vaidades. A nova vinheta de fim de ano da Globo vem provocando uma grande ciumeira entre alguns famosos, que estão se queixando de sua pequena participação na campanha. Apesar de o cantor Roberto Carlos ser, pela primeira vez, a grande estrela da vinheta, Susana Vieira, Mateus Solano e Glória Maria já teriam manifestado sua decepção por não aparecerem no filme de 75 segundos.

Na gravação, Susana Vieira teria até abraçado Roberto Carlos. No entanto, a cena foi cortada da versão que está indo ao ar. A atriz, que se orgulha de seus 40 anos na emissora, teria ficado chateada por não ter ganhado destaque.
Já Mateus Solano decidiu comentar no Twitter sua decepção por ter ficado fora do filme. “Não me vi na vinheta de fim de ano... Mas pelo menos pude ouvir Roberto cantando à capela!”, escreveu o ator no microblog.
Glória Maria também não teria gostado de sua posição durante a gravação. A jornalista ficou na terceira fila do coral de estrelas da emissora.
Mas os famosos que não apareceram na campanha de fim de ano da Globo ainda podem dar as caras. De acordo com a assessoria de imprensa da emissora, foram gravadas cinco versões da vinheta, com diferentes takes dos artistas que fazem parte do coral de luxo para Roberto Carlos, o que vai permitir que todos apareçam.
Ainda segundo a emissora, já estão no ar duas versões da campanha. Há mais três para serem exibidas.
Este ano, 130 estrelas da Globo — entre atores, apresentadores e jornalistas — participam da tradicional vinheta. Além de trazer Roberto Carlos cantando o tema ‘Um Novo tempo’, o filme mostra os apresentadores interpretando pessoas comuns, entre eles Fausto Silva como garçom, Xuxa como babá e William Bonner como carteiro.

Publicada em O DIA, em 07/12/2011

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

TROLLANDO COM AMANDA: O PIOR DO PIOR DO MUNDO

Por que a inconveniência tem que ser a marca de um repórter? E por repórter estou falando de quem faz perguntas que sejam publicadas ou exibidas na TV, já que não há mais exigência de diploma para exercer o jornalismo. Qualquer um vai pra rua, faz e desfaz, humilha, ridiculariza, não traz informação, e pior: atrapalha quem está realmente trabalhando, quem é repórter de verdade. Pensei em tudo isso por causa do quadro Trollando, do Pânico na TV!. Como a personagem de Amanda Ramalho - acredito que seja uma persona criada para incomodar, porque ninguém pode viver com toda aquela amargura - não estava dando certo, já que o programa descobriu que ridicularizar e ofender entrevistados não é o melhor negócio, resolveram colocá-la em dupla, na porta de um teatro, em dia de estreia. E logo com quem? Evandro Santo, o eterno Christian Pior. Safo, inteligente, mordaz na medida certa e com um ego tão grande quanto o das celebridades abordadas, o humorista não deixava Amanda dar suas "trolladas", porque sabia que reencontraria as mesmas pessoas numa próxima matéria e que elas, possivelmente, o evitariam. E também pra mostrar à moça quem era o dono do pedaço. Irritada, Amanda mandava Evandro calar a boca, dar-lhe mais espaço, falava junto com ele, fazia a linha deslumbrada, num momento de vergonha alheia total para quem vive de entrevistar com responsabilidade e educação as pessoas. No final, ela disse que não queria mais trabalhar com o humorista e mandou um "até a semana que vem, sozinha!". E fiquei aqui pensando... Quem quer ver Amanda Ramalho agredindo gratuitamente artistas ou disputando com Christian Pior a elaboração da piada mais humilhante? Por que dizer, por exemplo, a Ellen Rocche que sua carreira só deslanchou agora "porque ela largou aquele cara que era péssimo ator (Ricardo Macchi)" e ainda chamando Macchi de burro, entre outras coisas. Ellen defendeu-se como pôde. Mas, vem cá, ela foi ao teatro para defender-se de ofensas? Por que atrapalhar o trabalho um repórter que está ralando na noite, pra falar mal do ex-namorado de Ellen Rocche? Isso é engraçado? Bom, deve haver quem ache. Só isso explica essa insistência da "trollagem" de Amanda no Pânico.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O Astro: final digno de um bruxo de araque

O remake de uma novela dificilmente supera o original. Com a versão de O Astro, adaptada por Geraldo Carneiro e Alcides Nogueira da obra de Janete Clair, não foi diferente. A produção teve qualidades, sim, mas pecou na reta final, quando as cenas foram tão picotadas que mais pareciam uma colagem de videoclipe. A impressão foi de que os autores tiveram que correr muito com os desfechos porque não havia mais tempo para desenvolvê-los. Em alguns momentos, essa rapidez atrapalhou a amarração e compreensão da trama. Mas nada se compara aos surpreendentes penúltimo e último capítulos. A transformação de Herculano Quintanilha (Rodrigo Lombardi) em uma pomba foi um dos momentos mais ridículos da TV brasileira este ano. A desculpa do realismo fantástico - só porque o bruxo passou a novela inteira fazendo pequenos truques - não cola. Fiquei com a sensação de estar assistindo a outra novela: Os Mutantes, na qual todos os personagens viravam bicho. Qualquer referência à Saramandaia (1976, de Dias Gomes) é uma triste e infeliz comparação.

O final foi ainda mais risível. O que foi aquele circo armado pelo delegado paspalhão vivido por Daniel Dantas para revelar o assassino de Salomão Hayalla (Daniel Filho)? Para morrer, o ricaço precisou ser dopado pelo mordomo, levar uma coronhada do irmão e só depois ser empurrado janela abaixo por Clô (Regina Duarte). OK, valeu pela homenagem a Regina, que mesmo abusando das caras e bocas teve bons momentos na trama - até porque, desde o início, a novela não mostrou compromisso algum com o tom naturalista. Mas não deu pra engolir a prova recolhida contra a perua: além do tufo de cabelo retirado das mãos do morto, um botão de plástico que caiu da roupa de luxo dela! O estilista da personagem devia ser um vanguardista da moda. Mais patéticas ainda foram a prisão de Samir (Marco Ricca) e a morte de Neco (Humberto Martins), apesar de seus respectivos intérpretes terem feito ótimo trabalho. Já o suicídio de Magda (Rosamaria Murtinho) teve um toque poético. O desfecho de Herculano teve a pressa que marcou os últimos capítulos. Depois de forjar a própria morte - numa cena ambígua -, o astro aparece numa ilha deserta com Amanda (Carolina Ferraz) e o filho, a quem ensina seus truques. Final digno de um bruxo de meia tigela.