sexta-feira, 22 de setembro de 2017

ELBA, ALCEU E GERALDO AZEVEDO ARRASAM NO PALCO DO ROCK!

  
                                                                POR SIMONE MAGALHÃES

Que 'Grande', o quê?! Foi um 'Enorme Encontro' o show de Alceu Valença, Elba Ramalho e Geraldo Azevedo, no Rock in Rio, hoje. O público começou meio tímido, mas foi só o trio trazer o melhor do sertão para o mar, e os jovens (isso mesmo!) se acabarem na verdadeira música de raiz brasileira. Com o palco Sunset repleto de alusões ao Nordeste - flores e pássaros se misturavam a fotos de Jackson do Pandeiro, desenhos de obras de Mestre Vitalino, e bandeirinhas de festa junina. Com direito a banda de pífanos Zé do Estado, muito frevo com o Grupo Grial de Dança, e desabafos. Como o de Alceu, dedicando sua mágoa "a todo populista destruidor do povo, vai pra essa gente ruim o meu desprezo. Vamos salvar a Amazônia!".
 Depois, foi a vez de Elba soltar a voz, mas com palavras: "Temos que preservar a natureza. Que a gente faça canções que durmam os meninos e acordem os homens. E fora Temer!", gritou, seguindo com a emblemática 'Chão de Giz', de Zé Ramalho. O povo foi à loucura.
Boa parte do repertório do álbum 'O Grande Encontro' (1996) fez a festa, mas também buscaram lá atrás, no passado, o que acharam de melhor. Os três cantaram separadamente, juntos e misturados. Para variar, Elba arrasou em 'Caravana', de Geraldo Azevedo. E seguiu, pedindo a todos que homenageassem "o nosso rei do baião, Luiz Gonzaga", introduzindo a linda 'Sabiá'. Alceu juntou-se à amiga, e cantaram 'Papagaio do Futuro', que o cantor defendeu no Festival Internacional da Canção (FIC), de 1972, já preocupado com a poluição no Brasil ("...Olha que eu fumo e tusso é fumaça de gasolina...").
Quando Geraldo Azevedo começou os primeiros versos de 'Dia Branco', a galera vibrou e seguiu cantando a música sozinha, em muitos trechos. E Elba veio com outra composição dele, 'Bicho de Sete Cabeças', também aplaudidíssima. 
O que se seguiu foram três vozes personalíssimas interpretando 'La Belle de Jour', 'Morena Tropicana' e 'Pelas Ruas que Andei', de Alceu; 'Táxi Lunar', 'Banho de Cheiro' e 'Frevo Mulher', de Zé Ramalho. Fecharam o show com dançarinos de frevo, os integrantes da banda nordestina, chuva de papel picado, fitas de plásticos coloridos em formato de serpentina, enfim, um bailão! Tanto que Alceu continuou dançando, animadíssimo, e, se deixassem, ele não sairia do palco. 
Foi pouco tempo pra muita música boa dedicada aos discípulos de Gonzagão e Jackson do Pandeiro.

FOTO: DIVULGAÇÃO   






ESSA FAMÍLIA MUITO UNIDA DO "THE VOICE BRASIL"

    POR SIMONE MAGALHÃES


Brown falou, repetiu; Ivete reiterou: a sexta temporada do 'The Voice Brasil' veio mesmo com jeito de família acolhedora. Tanto nos vídeos - agora mais detalhados e emocionantes dos candidatos - quanto na relação dos jurados com os cantores - mais próxima, afetiva, com explicações detalhadas de o porquê os que não foram escolhidos devem voltar numa próxima vez. É claro que continuam entre Lulu, Brown, Teló e Ivete as brincadeiras de 'furar o olho' um do outro na hora de seduzir o participante que brilhou no palco, e levá-lo para o seu time. Mas com um clima de disputa ainda mais leve. E o timing certo, sem muita enrolação.
 Para pegar logo o telespectador pela emoção, a atração começou com a congolesa Isabel Antônio, de 16 anos, que fugiu da guerra em seu país, e reencontrou a família num abrigo, em São Paulo. História linda, emocionante. E mais: ela ainda faz parte de um coral de refugiados regido por uma das pessoas mais perseverantes que conheço, o maravilhoso maestro João Carlos Martins. Só Carlinhos Brown embarcou no 'Trem Bala' (de Ana Vilela) da moça e virou a cadeira. Isabel estava tímida ao microfone, mas o baiano percebeu o potencial e o sotaque diferente. Comparou o nome dela com o da princesa brasileira que libertou os escravos, e pediu que o público gritasse: "Bem-vinda, Isabel". Foi a primeira da família The Voice Brasil 6.
Mas ainda havia outros quatro candidatos - dentre os oito que se apresentaram - escolhidos para fazer parte dos times. Os irmãos sertanejos Adysson e Alysson, de 21 e 25 anos, vindos de Minas Gerais, foram fundo nos corações nostálgicos, afinadíssimos na interpretação da canção mexicana 'Malagueña Salerosa', de 1947 - dizem as boas línguas que foi uma homenagem dos autores Elpidio Ramírez e Pedro Galindo à beleza da atriz Sarita Montiel. Frisson no júri. Mas quem venceu a parada foi o também sertanejo Michel Teló.
Carol Biazin, de 20 anos, uma bacharelanda em Artes, do Paraná, ganhou os quatro jurados no ato. Arrasou cantando 'Daddy Lessons' (de Gordon, Beyoncé, Kevin Cossum e Alex Delicata), e escolheu Ivete como mentora. Já a goiana radicada em São Paulo, Day (ela prefere o apelido a seu nome, Daiane), de 22 anos, optou pelo rap 'Deixe-me ir' (de Baviera, Knust e Pablo Martins). Lulu explicou à moça que houve momentos ligeiramente semitonados: 'Mas até isso me interessou', completou ele.
E fechando a estreia com chave de ouro a carioca-soteropolitana-brasiliense Dhi Ribeiro, de 52 anos, lacrou com seu vozeirão a serviço do samba. Ela comentou com o apresentador Tiago Leifert que nasceu no Rio, foi modelo (na mesma agência que Ivete Sangalo, nas priscas eras) e cantora de trio elétrico em Salvador, e, há 24 anos, mora em Brasília. No primeiro verso de 'Milagres do Povo' - "Quem é ateu e viu milagres como eu" -, de Caetano Veloso, Dhi já disse a que veio. Teló virou sozinho, mas, quando viu que tinha a concorrência de Carlinhos Brown, desanimou. O cantor baiano aproveitou para reiterar que ali não havia escolha por etnia, por classes sociais, mas pela voz. E quando Ivete reconheceu Dhi, ela foi até o palco, e começou uma conversa de comadres que parecia não ter fim. Hilariante! Rolou até um dueto com um dos sucessos da jurada: 'Sá Marina' (de Antônio Adolfo e Tibério Gaspar). Deixando bem claro que a "família" The Voice Brasil é uma união de talentos, mas que também dá afeto aos que ficam de fora.

FOTO: DIVULGAÇÃO REDE GLOBO

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

O MULTIFACETADO NEY LATORRACA BRILHA EM 'NOVO MUNDO'


                                                                                          POR SIMONE MAGALHÃES

Lutando contra problemas de saúde que, vira e mexe, insistem em tirá-lo de cena por algum tempo, Ney Latorraca venceu mais um, e agora mostra seu brilho nos últimos capítulos de 'Novo Mundo', como Edward Millman, pai de Anna (Isabelle Drummond).  Três anos depois de 'Meu Pedacinho de Chão', ele volta às novelas em participação especialíssima num papel de época, dramático, comovente. Mais uma reinvenção desse ator multifacetado. 

Ney Latorraca é um dos mais completos e bem-humorados atores que já conheci. A lembrança mais antiga que tenho é o personagem Felipe, de 'Escalada' (1975), sua estreia na Globo. Era um dândi, apaixonado pela professora de piano Fernanda (Nathalia Timberg). Posso dizer que foi um papel interessante, só que pequeno para o talento dele - como eu compararia depois.  E esse 'depois' veio logo: no ano seguinte. Não acredito em coincidências, mas na trilha sonora de 'Escalada' - quando a história de Lauro César Muniz chegava aos anos 1960 - ouvíamos "Stupid Cupid", com Neil Sedaka. E a primeira explosão de Ney na emissora foi justamente em 'Estúpido Cupido' (1976), de Mário Prata. Excepcional era o mínimo que poderia definir o seu Mederiques. Apesar de estar com 32 anos, ele passava uma verdade incrível no papel de bad boy, que já tinha repetido 200 vezes o Científico (hoje, Ensino Médio) e comandava sua "turma", os Personélits Bóis, na interiorana Albuquerque. Confesso: era uma pré-adolescente que perdia qualquer festa, qualquer evento, para ver 'Estúpido Cupido'. Lembro-me de estar de férias, com amigas e meus pais, na casa de praia deles, e não sair para poder assistir ao último capítulo da trama numa TV que vivia de chacoalhões e trocas de lugar da antena - mas vi tudinho!!! (risos) 
Outras interpretações maravilhosas de Latorraca, em novelas e minisséries vieram. Até chegar  à dobradinha 'Anarquistas, Graças a Deus' e 'Rabo de Saia", em 1984 - Seu Quequé era tudo de muito bom! No ano seguinte, ele se multiplicou, literalmente, interpretando cinco personagens em Um Sonho a Mais (1985), trama que acabou virando uma miscelânea, mas sempre lembrada pelo talento do protagonista. E quando a gente pensava que ele já estava no auge, veio o Barboooosa, da TV Pirata, em 1988. Quem, naquela época, nunca repetiu para alguém esquecido ou 'meio lesado' a expressão: "Barboooosa"? 
E, aí, Ney se reinventou mais uma vez: virou vampiro em 'Vamp' (1991), novela que cobri como jornalista. Foi uma delícia! Sempre aliei trabalho a prazer, mas em Vamp foi sensacional. As tiradas de Ney, dentro e fora do set, eram impagáveis. E o elenco funcionava por música. Naquele ano, ele foi nosso Papai Noel vampiro na capa da Revista da TV, de O Globo, numa foto linda de Claudia Dantas. Mas pra fazer a foto... Rimos muito antes, durante e depois.  Lembro-me de que em uma das vezes que estava cobrindo as férias de Patrícia Andrade, colunista da 'Controle Remoto', precisava de uma última nota. Ney estava bombando naquele momento. Liguei para ele e expliquei a situação: "Não vou tomar seu tempo... É só uma notinha...". Ele, com aquela voz tão peculiar: "Minha querida, já estou me acomodando pra ficar horas ao telefone. É sempre assim comigo: dizem que é notinha, mas acabo virando matéria de capa" e soltou uma risada à la Latorraca.  
E mais outros tipos interessante vieram...  Até 2010, quando fiz minha última entrevista grande com Ney. Era sobre o doutor Solano de 'S.O.S. Emergência'. Não sei se porque ele não estava com a saúde cem por cento ou se pelo tema 'hospital' - apesar de ser um seriado com tom humorístico - acabamos conversando muito sobre velhice e morte. E ele me contou que já tinha tudo esquematizado: um testamento no qual dividia seus bens para instituições benemerentes e hospitalares. Acho que foi a conversa mais séria que tive com ele. Mesmo assim, depois voltamos a nos encontrar em lançamentos, eventos, e sempre tinha uma piada pronta, às vezes irônica, às vezes ferina, mas sem criar qualquer constrangimento. E tratando os jornalistas com o maior respeito e dedicação. Atitude cada vez mais difícil nos dias de hoje, quando até em lançamento de novela uma assessora de ator menos votado, pega o crachá pendurado no pescoço do repórter e aproxima do rosto dela para saber se o veículo no qual ele trabalha vale a pena para seu assessorado.                         
Ah, Ney... Se todos fossem iguais a você! 
E olha que eu ia só registrar a linda participação dele em 'Novo Mundo'... E não é que virou textão? Tinha que ser.

FOTOS: REPRODUÇÃO

sábado, 16 de setembro de 2017

DIVINA ELZA SOARES: DE BORRALHEIRA A RAINHA


                                                                                 POR SIMONE MAGALHÃES

Ela foi esculachada pela sociedade ao assumir a relação com Garrincha, casado e pai de oito filhas. Segurou a barra do ídolo da cabeça e pernas tortas durante 11 anos. Cantou muito para sobreviverem. Teve quatro filhos mortos. Hoje, aos 80 anos e mais de 60 de carreira, ela é rainha. Elza Soares se desfez em "obrigada, muito obrigada" ao público do Rock in Rio, e fez um pedido - repetido mil vezes depois de interpretar 'A Mulher do Fim do Mundo': 'Me deixem cantar! Me deixem cantar até o fim!', verso da canção que veio como uma súplica do fundo do coração. Elza tem que ser exaltada não apenas pela grande intérprete e guerreira que já comeu o pão que o diabo amassou: ela é uma defensora das mulheres caladas à violência - "Você vai se arrepender de levantar a mão pra mim", em 'Maria da Vila Matilde'. O show curto e irretocável da rainha Elza com Rael teve um gosto de quero muito mais. E vê-la ali, diante de milhares de jovens - que nem eram nascidos quando Elza Soares já arrasava com seu suingue e vozeirão rouco num repertório delicioso - saudando a rainha é a vitória contra tudo que a cantora viveu. E contra a hipocrisia da sociedade. E contra a humilhação feminina. E contra a carne negra ser a mais barata do mercado. VIVA SEMPRE ELZA SOARES!


FOTO: Reprodução

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Egos de estilistas famosos comprometem atuação de iniciantes, na estreia de 'Desafio Brasil Fashion'

    Alexandre Herchcovitch, Lino Villaventura e Ronaldo Fraga: coaches no Lifetime

POR SIMONE MAGALHÃES
 Começou a estação da competição de renomados estilistas brasileiros. Ou melhor, dos aprendizes, que têm como coaches  Alexandre Herchcovitch, Lino Villaventura e Ronaldo Fraga , no programa 'Desafio Brasil Fashion', exibido no canal a cabo Lifetime. Na estreia da atração, os veteranos mostraram que não têm papas na língua. São diretos, retos e até indelicados ao comentarem os temas escolhidos pelos nove pupilos. Não teve salvação: todos tinham um - ou vários problemas - na concepção, nos croquis, nas cores, nos estilos... Parecia que a disputa pelos melhores looks eram dos figurões brasileiros da moda, que imprimiam suas ideias aos modelos dos candidatos.
A ideia do programa é quase - eu disse quase - uma clonagem do 'Project Runway', no qual os participantes criam e costuram suas roupas, desfiladas por modelos profissionais diante de juízes, que entendem do riscado e explicam os erros e acertos aos jovens. No 'Desafio' brasileiro foram escolhidos designers de nove estados diferentes. Cada um com sua concepção, e apoio total do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) - um dos maiores nomes quando o assunto é moda. Eles tinham 20 a 30 dias para a realização de três looks, e apresentação na passarela. Para toda essa façanha recebiam R$ 5mil de ajuda.
No primeiro episódio vimos a insegura estudante de moda Amanda, do Paraná, querendo mesclar o universo de suas antepassadas alemã e ucraniana, em vestidos com muitos bordados, sobre um tecido branco. Ronaldo Fraga não gostou do croqui que a moça apresentou, disse que ele poderia ter emocionado muito mais. Fraga mandou que ela mergulhasse profundamente na cultura ucraniana e, depois, aceitasse as alterações conceituais dele. Na reta final, com Amanda já bem estressada, foi um tal de muda aqui, diminui ou aumenta ali, borda pérolas - e tira pérolas - acolá. A estudante ficou aliviada com o término de seu desfile, que incluiu um look longo, outro midi, e um conjunto de short e blusa. Mas era nítido que, depois de tantas mudanças, o esforço feito não se refletiu na passarela.
Assim como o do carioca Michel, cuja inspiração no croqui era uma roupa baseada em Oxum, exuberância e estilo barroco, com muito azul, mangas largas e brilhos.                                            Pausa para o comentário Herchovitch sobre o programa: "São temas riquíssimos, mas quando vou ver a forma... tem ali na esquina".
Lino Villaventura provocou Michel para que usasse peças masculinas nas modelos. O rapaz acabou mudando toda sua estratégia, desenhou e confeccionou no Senai seu próprio tecido, e se jogou nos modelitos inspirado na arte barroca, com muitas, muitas camadas. Durante as provas, nas modelos, Lino não gostou, queria mais ousadia - "Não adianta uma estampa incrível, se o trabalho está muito normal", reclamou. Mandou Michel desconstruir as peças, alegando que uma blusa estava "bem pobrezinha", com uma sobreposição que parecia "um colete anos 70". Michel disse que Lino virou a vida dele de cabeça pra baixo. Mas chegou a hora da passarela, e mais um sentimento de alívio quando as modelos desfilaram. Sem a opulência de Oxum, muita camada e pouca beleza.
 E chegou  André, um gaúcho que mora em São Paulo, com uma aproximação maior da moda. Aos 38 anos, queria apostar em superposições com tecidos trabalhados em preto e branco, sobre transparências.  Herchcovitch demonstrou um certo interesse pela apresentação das ideias de André. Mas queria ver como ficaria a forma tridimensional. E lá foi André para o Senai fazer experiências com as padronagens dos tecidos, que o deixaram frustrado. Pressionado, não conseguia acertar o ponto. O candidato a estilista decide, então, produzir seus looks inspirados nas vestes dos padres jesuítas (!). É esperar os próximos episódios para ver. De antemão: Medo!
Enquanto isso, surge Sabrina, vinda de Santa Catarina. Ela apresenta a Lino um croqui com modelos inspirados na "mistura das raízes brasileiras". "O trabalho ficou bem geométrico, mas pode ser bem melhor. Sempre pode", respondeu ele.
 Acho que o interessante em programas na linha do 'Project Runway' é a criatividade de quem participa. É mostrar o que pensa, sente e põe em prática (com alguns pitacos do 'guru de estilo' Tim Gunn, mas nada de imposição). Só que, pelo visto, a criatividade do candidato do 'Desafio Brasil Fashion' acaba se adequando aos conceitos impostos pelos coaches. Ou seja, na fogueira das vaidades, quem sai chamuscada é a coleção do novato.
Quem venham novos talentos, e não clones dos famosos.

FOTO: DIVULGAÇÃO/LIFETIME

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

'A FAZENDA - NOVA CHANCE' COMEÇA MAL



POR SIMONE MAGALHÃES


Foi de doer! A estreia de 'A Fazenda - Nova Chance' teve (quase) tudo... de decepcionante. A começar pela falta de segurança do já tarimbado apresentador Roberto Justus, que, depois de trocar o nome de um participante, garantiu que até o fim da atração conseguiria decorar como todos se chamavam. Com explicações longas e repetitivas sobre as provas, falta de timing na edição, falhas técnicas (cadê o som??), inserções de VTs em horas erradas, excesso de 'explosões' pirotécnicas bem próximas aos peões... enfim,  um primeiro dia a caminho da roça, ou melhor, do caos. Mas como o povo morre de  curiosidade em  relação às "personalidades da mídia", seus romances e fofocas, o programa ficou na vice-liderança, com 10,4 pontos de audiência. E em primeiro, a Globo, com 27.
Mas não faltou o momento cômico-constrangedor. Contando com os pedidos do público (!), Rafael Ilha apareceu no cenário, antes da execução da prova para Fazendeiro da Semana, e foi apresentado por Justus como suplente, caso um dos 16 competidores desista. Ansioso, como sempre, o controvertido ex-Polegar comentou que esperava a saída de Dinei, já que eles tiveram "uma história no passado". O ex-jogador do Corinthians ficou pálido, com medo da explicação que viria, já que todo mundo sabe que ambos foram usuários de drogas. Mas Rafael (ufa!) contou uma história confusa de Dinei tê-lo salvado de morar na rua, tempos atrás. Assim, se tudo der certo (ou errado, e A Fazenda ficar "morna" ) é bem provável que Ilha entre para quebrar tudo, literalmente.
No final da prova do líder, que fez com que quatro peões pegassem pesados montes de fenos para as competidoras  Flávia Vianna (que se separou de Fernando Justin, também ex-BBB, depois de nove anos de casados) e  Monick Camargo (expulsa de A Casa) montarem pirâmides, e chegarem até o chapéu de Fazendeiro. Cheia de disposição, Flávia ganhou a parada.   

RECLAMAÇÕES À PARTE, OS PEÕES SEGUEM EM BUSCA DO PRÊMIO
Numa fazenda, que mais parece um sítio, em Itapecerica da Serra, a 38,5 quilômetros do centro de São Paulo, os 16 exs-tudo (Fazenda, BBB, A Casa, O Aprendiz,  Power Couple, Masterchef) reclamaram do pequeno espaço de convivência. Sala, cozinha e quarto apertados, apenas dois banheiros (sendo um do lado de fora da casa), além da velha técnica do uso de camas de casal no lugar de duas de solteiros. E embora a piscina seja maior do que a hidromassagem foi na banheira que os peões preferiram ficar de boa vida, hoje. Teve topless, peoa falando sobre seu excesso de flatulências, comparações entre as "irmãs gêmeas", as parecidíssimas Nicole Bals e Monick Camargo, e Monique Amin e a cantora Pablo Vittar.  Enquanto isso, os desafetos de Marcos Harter se unem, cada vez mais, para pedir a saída do médico da atração.
Resta esperar pelos próximos episódios. Quando todos deixarem de ser amiguinhos, e os divertidos barracos e trairagens rolarem.

FOTOS: DIVULGAÇÃO REDE RECORD

terça-feira, 12 de setembro de 2017

O MELHOR DO PASSADO MUSICAL NO FAUSTÃO




POR SIMONE MAGALHÃES


Parecenças à parte com o 'Qual é a música?', do 'Programa Silvio Santos', no qual rolavam disputas acirradas pelo primeiro lugar entre Ronnie Von, Gretchen, Ovelha, Nahim e tantos outros, o 'Ding Dong', do 'Domingão do Faustão', entra no túnel do tempo, trazendo surpresas e nostalgia ao palco. Cantores que emocionam o público mais velho, e que muitos jovens nem conhecem. A competição da atração da Globo dura pouco tempo - aliás, vai aí um pitaco: poderia ganhar um espaço maior no programa -, mas dá para matar as saudades. 
E é notória a alegria do apresentador ao resgatar velhos amigos, que batiam ponto no 'Perdidos na Noite', exibido pela Record e pela Band, nos anos 1980. Mal comparando uma 'Escolinha do Professor Raimundo' musical. Enquanto, Chico Anysio e sucessores à frente do programa faziam questão de resgatar os atores/humoristas que andavam esquecidos, e mesclá-los com os mais jovens, Fausto Silva também traz verdadeiras pérolas, que muitos não sabiam por onde andavam, nem se estavam vivos. A memória curta do brasileiro apaga astros que brilharam no rádio, TV, cinema nacional, em shows pelo Brasil, pelo mundo. A memória curta do brasileiro só vale para o sucesso musical do momento, para os belos atores que estão no ar.
E mesmo só apresentando cinco atrações, o 'Ding Dong' me emociona a cada domingo. Trazendo Perla, Dudu França, Ângelo Máximo, Sarajane, Peninha, Hyldon, Dalto, Cláudio Zoli, Ira, Antônio Carlos e Jocafi, além de tributos a Elvis e Nat King Cole. E cantores jovens, claro. 
Mas é nítida a alegria do Faustão e seus antigos "sócios" do 'Perdidos'.  Como foi domingo passado, com a divina Ângela Maria que, aos 88 anos, entoou seu hino,'Babalu', lindamente, do modo que ficou mais cômodo para ela. E como a participação no quadro envolvia a divulgação do CD no qual ela canta Roberto e Erasmo, não ouvi 'Vida de Bailarina', 'Tango para Tereza', 'Gente Humilde' e 'Vá, mas volte' - minhas preferidas na voz da Sapoti. Sem problemas: corri para o Youtube, e pus Ângela na vitrola da minha infância, cercada por meus pais - que já não estão mais aqui - e de muitas saudades, porque era "hora de lembrar e de chorar".
FOTOS: Divulgação da Rede Globo e Fco. Patrício 





domingo, 10 de setembro de 2017

ANDRÉ FRATESCHI : O POPSTAR HORS CONCOURS



POR SIMONE MAGALHÃES

Estava na cara... Mas sem marmelada! Por melhor que fossem os concorrentes da primeira temporada de "Popstar", na Globo, a vitória tinha destino certo desde o início: o ator e cantor André Frateschi. Não desmerecendo os talentosos Claudio Lins e Mariana Rios, segundo e terceiro lugares, respectivamente, Frateschi foi o ponto alto em todos os programas. Se houve algum 'senão' dos jurados pelo fato desse paulistano, de 42 anos, cantar mais em inglês - Beatles, David Bowie, Queen, U2, Nirvana,  Marvin Gaye -, ninguém pode esquecer que, nas dez semanas da atração, ele também brilhou com músicas de Skank, Cazuza, Legião Urbana e Paralamas do Sucesso. E nada afetou suas performances no palco: Frateschi foi hors concours.
Lúcio Mauro Filho e Thiago Fragoso expressaram muito bem o lado roqueiro de cada um. Mariana Rios, quando introjetava a "diva" dava show - coincidência ou não, sua melhor apresentação foi na quarta semana, quando Di Ferrero, seu ex, era jurado. Além de lindíssima, ela brilhou interpretando "Million Reasons" (Lady Gaga), alcançando a maior pontuação da tarde.
Todos os participantes acabaram transformando o "Popstar" numa grande confraternização. Acredito que Eduardo Sterblitch - que, sem querer, acabou dedicando este último dia às crianças, com o tema do "Rei Leão" e "Lua de Cristal", de Xuxa - sucesso que ele declarou "amar" - não se arrependeu de ter ganhado só dois votos dos jurados; Alex Escobar caiu no samba e parece ter se divertido muito com a participação; assim como Érico Brás (abusando do suingue); Marcelo Mello Jr (que, com certeza, terá mais convites para shows de sua banda, Melanina Carioca), Fabiana Karla (sempre emocionada e trazendo o Nordeste para o palco); a bossa-novista-sensual Sabrina Parlatore, que teve na atração uma alavancada na carreira musical; enquanto Marcela Rica e Murilo Rosa se saíram bem no esforço de mostrar seus dotes de cantores. Rafael Cortez ficou na cota dos que gostariam de ser cantores.
Mas o que me deixou profundamente triste, numa atração tão animada - com Fernanda Lima, em looks e maquiagens nada exagerados para o horário e o programa -, foi o bullying que muitos convidados fizeram com Claudio Lins. Dono de um potencial de voz maravilhoso, cujo timbre é semelhante ao de Ivan Lins, o segundo lugar de "Popstar" não merecia ficar sendo comparado, a cada exibição da atração, com o pai. Aos 44 anos, o ator e cantor não precisa mais afirmar a quem quer que seja o seu talento. Só que as pessoas continuam insistindo na velha e cansativa história do "filho de peixe, peixinho é". Acredito que para tentar minimizar as comparações sobre Ivan e Claudio, a cantora Paula Toller chegou a dizer que o filho cantava mais do que o pai, "um excelente compositor".
Fica a questão: quando as pessoas vão parar de comparar os filhos de artistas que seguem a carreira dos pais? Será que não percebem que isso faz com que eles se cobrem mais, que tenham que "provar" o tempo todo que são bons por si mesmos ou que se sintam diminuídos por terem conseguido um espaço em função do DNA?

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

QUANDO SEREMOS INDEPENDENTES?


POR SIMONE MAGALHÃES

Desde crianças nos ensinam as datas simbólicas do nosso País. E a importância delas. Eu sempre tive uma quedinha pelo 7 de setembro. Além do ato de bravura de um príncipe ao resgatar o que sempre foi nosso, mas que, na verdade, nunca foi, lembro-me das idas às paradas do Dia da Independência, no Centro do Rio. Era um passeio cheio de pompa. E o único que, durante o ano, eu fazia sozinha com meu pai. Tanto que ele, muitas vezes,  brincava comigo me chamando de "parada". Meu pai... Um homem de poucas letras, de muita fé no Brasil, com amigos mais velhos que haviam sido expedicionários, tinha orgulho de todo aquele aparato, numa época complicada - anos 1970 -, sobre a qual ele não sabia absolutamente nada, não apenas pela falta de cultura formal, mas pela dedicação integral ao trabalho e à família.
Nas redações no colégio, que vieram depois, quase sempre havia "Brasil, um país emergente'', "que caminha a passos largos", "cabe a nós, crianças, escrevermos o futuro dessa nação" e por aí ia. Mas nunca fomos.
Meu pai, dono de uma pequena alfaiataria, trabalhou no corte e na costura por mais de 50 anos, e conseguiu nos dar conforto, um apartamento e formar duas filhas em faculdades. Mas já não acreditava naquele Brasil das paradas da Avenida Presidente Vargas. E, quando mais precisou, resmungava muito sobre como a contribuição de uma vida inteira à Previdência Social só permitiu que ele sobrevivesse. A essa altura minha fé pela "grandeza" do Brasil já tinha sido transferida para o filho, que eu viria a ter muitos anos depois. Mas tudo foi se dissipando.
Mesmo assim, sem emprego e decepcionada com cada perversidade que vejo/leio todos os dias, me peguei emocionada - como em 1972, no filme "Independência ou Morte", com Tarcísio Meira - ao ver a cena de Caio Castro, em "Novo Mundo", e rememoro o que imaginei para este País e para os milhões de brasileiros honestos, que hoje (sobre)vivem à míngua.
E o que temos 195 anos depois? Nenhuma independência. Somos reféns de golpistas, ladrões, planos maquiavélicos, violências absurdas e toda sorte de desgraças. Nunca fui uma Pollyanna, pelo contrário, mas esperava que o futuro nos trouxesse o básico: comida, emprego, segurança, educação, saúde pública, dinheiro para quem trabalha por ele... Sobrou-nos apenas - infelizmente, nem a todos - a dignidade e a fé. E a pergunta: Quando seremos independentes?

FOTOS: DIVULGAÇÃO REDE GLOBO E REPRODUÇÃO

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

'A GENTE NÃO VAI SE DEIXAR ENGANAR MAIS POR DEMAGOGOS'




POR SIMONE MAGALHÃES

Foi impressionante! E emocionante, também. Ao ver a foto de Regina Duarte caracterizada (acima, à esquerda), 40 anos depois da exibição da novela "Nina", uma onda de nostalgia me envolveu. Adorava aquela professora doce e determinada, que, em 1926, comprou briga com o colégio paulistano tradicionalíssimo no qual trabalhava - e com os conservadores -, por não aceitarem a presença de Isadora (Isabela Garcia), filha de um casal de... artistas! Nina era um exemplo para minha adolescência contida: ela não desistia de colocar suas ideias em prática. Posso dizer que a personagem foi a "mãe" de "Malu Mulher"(1979), outra guerreira pelos direitos das mulheres. Tudo em meados da década de 1970... e também para dar fim do rótulo de "Namoradinha do Brasil", que Regina começou a jogar para o alto, em 75, interpretando a prostituta Janete, na peça "Réveillon", de Flávio Márcio.
Aos 70 anos de idade, a atriz se investe de Madame Lucerne, uma cafetina francesa dona da Maison Dorée, no Rio de Janeiro de 1917, na próxima novela das seis, "Tempo de Amar.". Uma mulher de passado misterioso, que não deixa as funcionárias terem muita proximidade para que seus segredos continuem ocultos. Segredos que envolvem também o alto escalão da política e ricaços com quem ela lida. Mais uma persona arrebatadora para sua galeria de poderosas.


NA FESTA DE LANÇAMENTO DA NOVELA, COM RESPOSTAS NA PONTA DA LÍNGUA
     
"NÃO TENHO MAIS RAZÃO NENHUMA PARA TER MEDO. O PAÍS ESTÁ UNIFICADO, DAQUI PRA FRENTE É SÓ CAMINHAR. VAI DEMORAR, MAS SE AS PESSOAS NÃO PARTICIPAREM SERÁ MAIS DIFÍCIL. A GENTE DEU MOLE NAQUELA ÉPOCA. AGORA, HÁ MAIS CONSCIÊNCIA DE BRASILIDADE E DE CIDADANIA. A GENTE NÃO VAI SE DEIXAR ENGANAR MAIS POR DEMAGOGOS".

Regina Duarte chegou esfuziante à centenária Confeitaria Colombo, no Centro do Rio, onde se reuniram elenco, autores, diretores e equipe da trama de Alcides Nogueira. Blusa amassada de tafetá bordô acompanhada por uma saia longa, que, segundo a atriz, moram em seu closet há 20 anos, e só saem de lá em ocasiões especiais. Ela chegou de rabo de cavalo para depois soltar as madeixas, e dar volume aos cabelos com o balanço da cabeça. Tão feliz que, durante a exibição de trechos da novela num telão, Regina, no fundo do salão, tirou as sandálias, subiu numa cadeira e fez selfies de costas para o grupo que assistia às cenas. E, o melhor, não se furtou às poucas perguntas a que teve tempo de responder:
_"Quero papéis diferentes, que me proponham um desafio. Em "Três Irmãs" me deram um personagem que eu já tinha feito várias vezes".

_ "Adorei fazer a Porcina, por exemplo, mas ela já veio 'pronta'. O visual, o modo de ser, os trejeitos e as falas maravilhosas do Dias Gomes e do Aguinaldo Silva". 

 _ "Agora é aprendizado. Novidades! Madame Lucerne tem uma camada de humanidade incrível. Estou apaixonada por ela".

 _ "Tento manter a forma o melhor que posso. Nem sempre liguei para isso. Mas li uma frase no Instagram - aliás, eu adoro o Instagram! (risos) -  dizendo: "You can not stop pedaling", ou seja, você não pode parar de pedalar. Parou? Estacionou? As coisas descem ladeira abaixo (risos)."

 _ "Teve um momento em que eu não estava sonhando, quando buscava um ideal... Mas fui à luta. Tenho optado pelo que acho melhor. E o que me movimenta, me impulsiona, é minha família. A gente adora quando está junta, e olha um para o outro. Temos que estar sempre abertos um para o outro!".

 - "Não tenho mais razão nenhuma para ter medo. O país está unificado, daqui pra frente é só caminhar. Vai demorar, mas se as pessoas não participarem será mais difícil.  A gente deu mole naquela época. Agora, há mais consciência de brasilidade e de cidadania. A gente não vai se deixar enganar mais por demagogos".

-"A novela vai ser genial. O brasileiro está carente de pensar e de viver o amor". 


 FOTOS: DIVULGAÇÃO REDE GLOBO/JOÃO MIGUEL JUNIOR E RAFAEL CAMPOS







quarta-feira, 30 de agosto de 2017

UMA FEMINISTA DETERMINADA A LUTAR POR TODAS AS IGUALDADES



POR SIMONE MAGALHÃES

Não é coisa de novela. Noventa anos se passaram e podemos contar nos dedos as grandes diferenças na vida da brasileira. Principalmente, quando o assunto é emancipação feminina. Em pleno 2017, continuam as lutas pela igualdade de cor, de gênero, no campo profissional, pela exposição da orientação sexual, enfim, pelo respeito devido desde 1927, quando se passa a  próxima trama das seis da Globo, 'Tempo de de Amar', que estreia em 26 de setembro. "Muitas discriminações são as mesmas. Só que naquela época eram veladas. Precisávamos de mais mulheres como a Olímpia, minha personagem", afirma, com intensidade a atriz Sabrina Petraglia, 34 anos.
Ela está tão empolgada com o papel que parece uma metralhadora giratória quando desabafa ao abordar temas como feminismo, machismo, luta pela igualdade racial e operários explorados pelos patrões. Olímpia já entra na trama "causando". Chega ao Rio, vinda de Paris, chique e linda, com corte de cabelo à la garçonne, batom rosa-choque e acompanhada pelo namorado negro, Edgar (Marcello Melo Jr.). Percebe que os preconceitos enlameiam mais a cidade do que as ruas sem saneamento, e  vai logo abrindo, junto com o irmão, Vicente (Bruno Ferrari), o Grêmio Cultural Brazileiro, um espaço para debates, discursos e diversão. Determinadíssima, Olímpia não vai sossegar enquanto não fizer a diferença na Guanabara daquela época.

Tanto tempo e tão pouco mudou para as mulheres brasileiras, que continuam suas batalhas diárias...
Sabrina Petraglia - Vejo nessa personagem e na novela uma grande oportunidade para falar sobre equidade. É triste: a gente evoluiu em determinados aspectos, mas em outros, tão importantes, continua patinando. 

Mas o machismo está perdendo a 'força', não acha?
É que antes era tudo muito velado e as mulheres viviam numa relação histórica com o machismo. A maioria era obrigada a aceitá-lo. Hoje, a voz  e as atitudes da mulher estão ganhando cada vez mais força. Bom... Eu tenho 34 anos e fui criada num universo machista. Acho que o homem precisa entender que trocar a fralda do filho não é um favor que faz à mãe da criança: ele é pai, e isso não é mais do que obrigação!  Fico impressionada com algumas mulheres que acham uma 'grande' atitude: 'Ah, meu marido é tão bom por fazer isso!'. E aquelas que dizem que o homem 'não deixa faltar nada em casa'? Que se contentam com a parte material da relação. É um absurdo.

E quanto à licença-maternidade? Não é pouco tempo para o pai auxiliar a companheira? 
A licença tem que ser de seis meses para a mulher e para o homem também. Sem aquela pressão de que quando voltar ao trabalho poderá ser dispensado. Isso de emprego é complicado... Você já reparou que há muitas mulheres que, quando vão preencher fichas para vagas, perdem o incentivo? Elas começam a ler as exigências para o cargo e pensam que não vão conseguir suprir o que é pedido. Já os homens preenchem metade da ficha e já estão certos de que a vaga é deles. Isso é cultural, também tem a ver com o medo de não ser capaz, da diminuição que imputaram às mulheres. E fico muito feliz vendo a renovação na geração atual. Elas estão lutando e ganhando! 

Você já tinha esse discernimento quando percebeu que vivia num universo machista?
Tinha dias que eu dizia: "Pai, faz o jantar, que a mãe está cansada". Ele ficava sem graça, dizia que ia fazer, mas acabava não fazendo. Eu insistia que eles deviam se revezar na cozinha.

Mas seu pai sabia cozinhar?
Sabia. Mas não fazia. E eu pensava que todos os casais deveriam dividir as tarefas. Não existe: "Isso é para mulher fazer, e aquilo para o homem". Fiquei irritada, quando estava numa loja de brinquedos, e uma menina pediu que a mãe comprasse um helicóptero. A resposta foi: 'Não! Isso é coisa de menino!'. Será que ela não pode estar podando o futuro de uma engenheira aeronáutica, de um piloto?

Para você é importante esse cunho social nas novelas, não?
Falar de gênero, de raça, da emancipação feminina, campanha pelo voto da mulheres... É muito legal! Graças a Deus, fiz uma novela ("Haja Coração") interpretando a Shirlei, uma deficiente física, abordando a inclusão, e agora mostrando mudanças sociais mais do que necessárias. Estou muito feliz!

E para isso você mergulhou no universo da Pagu (a escritora Patrícia Galvão, destaque no desenvolvimento do movimento modernista)?
Foi um mergulho em muitos textos, vários materiais daquela época. Primeiro, nos livros de Gilka Machado (1893-1980), pioneira da poesia erótica no Brasil, e, claro, na Pagu (1910-1962), que, além dos escritos, tinha uma postura muito autêntica, não estava nem aí para o que os outros pensavam dela. É difícil, mas vejo um exemplo na Olímpia: uma mulher independente, com opiniões próprias, que vai aos lugares sozinha - seja de dia ou à noite -, que se banca... Acho que ainda vamos chegar lá, com o fim aos preconceitos.

Mas você também já foi preconceituosa... Quando conheceu seu noivo, o engenheiro Ramón, ficou em dúvida se o namorava por ser seis anos mais velha do que ele...
É verdade: eu confesso! Foi num Carnaval, ele era novinho, achei que não ia dar certo. Mas já estamos juntos há cinco anos e pretendemos nos casar quando a novela terminar. Na verdade, ele é bem mais maduro do que eu, e essa troca é muito boa.

Seus pais são supercatólicos, queriam que vocês se casassem na igreja, mas há outros planos, não?
Acho que a gente é muito pretensiosa para dizer que a igreja é a casa de Deus.  Para mim, a casa Dele é na natureza, por isso pretendemos nos casar embaixo de uma árvore ou num lugar florido... Estou organizando tudo, passo a passo, vendo o valor de cada significado da cerimônia, e ressignificando o que acho importante. 

FOTO: Divulgação Rede Globo/João Miguel Junior

domingo, 4 de outubro de 2015

João Barone lança série sobre a Segunda Guerra no Philos

Rio - Apaixonado pela Segunda Guerra Mundial, João Barone está de volta ao tema. Desta vez, o escritor, documentarista e baterista do Paralamas do Sucesso apresenta o seu terceiro filme sobre a participação dos soldados brasileiros no conflito: a série '1942 – O Brasil e Sua Guerra Quase Desconhecida', que estreia dia 6 (terça-feira) no Philos - canal on demand da Globosat. Dividido em quatro episódios, o material é baseado no livro homônimo de Barone, lançado em 2013.
O desafio de fazer a série a partir do livro foi manter sua linha mestra de jornalismo histórico e tirar este tema do arcabouço onde ficou guardado por décadas”, conta Barone, que é filho do ex-combatente João de Lavor Reis e Silva, um dos 25 mil pracinhas da Força Expedicionária Brasileira (FEB).
A série traz imagens gravadas na Itália, além de imagens de arquivo e entrevistas com historiadores, jornalistas e ex-combatentes. Personalidades como Pedro Bial, Marcelo Madureira, Bi Ribeiro, William Waack e Luiz Fernando Veríssimo também dão depoimentos por terem alguma relação com a Segunda Guerra.

 “Para compor o programa, convidei pessoas conhecidas que se interessam pelo tema, outras que foram testemunhas e vivenciaram aqueles tempos. Jorge Carlos Ribeiro (pai de Bi Ribeiro, companheiro de Barone nos Paralamas) estava morando em Berlim em 1940 com os pais, quando o Brasil rompeu com a Alemanha e a família teve de voltar”, lembra Barone. “Já Bial é filho de judeus convertidos que fugiram do Holocausto. William Wack foi correspondente de guerra em conflitos recentes e escreveu 'As duas faces da glória', sobre os soldados da FEB”, completa.

Publicada em 4/10/2015 - O DIA

Lawrence Wahba estreia série 'Todas as Manhãs do Mundo' no Nat Geo

Neste domingo, no Dia Mundial dos Animais e também Dia da Natureza o Nat Geo comemora com uma estreia que rodará o mundo em busca de um dos momentos mais surpreendentes do reino animal, a 'troca de turno'. Em 'Todas As Manhãs do Mundo' Lawrence Wahba viaja pelo Brasil, Canadá, México, Noruega e Zâmbia em busca de imagens impressionantes e momentos de tirar o fôlego que os telespectadores poderão conferir a partir deste domingo, dia 4 de outubro, domingo, às 22h15.
Em cinco episódios, a série percorre os cinco santuários naturais para captar o momento em que os animais noturnos se recolhem e os animais de hábitos diurnos saem em busca de comida e sobrevivência ao longo do dia. Encontros com bichos pouco vistos até hoje, o nascer do sol em diferentes pontos de vista - do deserto ao fundo do mar - e a impressionante harmonia em que a "troca de turno" acontece faz de "Todas As Manhãs do Mundo" a grande estreia do mês de outubro do Nat Geo.

No episódio de estreia, Wahba viaja para Amazônia e na floresta tropical os gritos dos bugios anunciam um novo amanhecer. Poderemos acompanhar milhares de tartarugas desovando e jacarés cuidando de seus ninhos, além de ter a oportunidade de assistir o encontro com animais quase invisíveis. A aventura leva o telespectador ao encontro do mundo animal de uma perspectiva jamais vista antes e com muito bom-humor ao lado do premiado documentarista brasileiro.

Segunda temporada de 'Psi' estreia neste domingo no HBO

Rio - A história do médico psiquiatra e psicanalista Carlo Antonini, vivido por Emílio de Mello na série 'Psi', segue com novos casos e dilemas. Na segunda temporada do programa, que estreia neste domingo, às 22h, no canal HBO, Carlo volta ao Brasil após passar um ano em Veneza, na Itália. O psicanalista vai assumir o cargo de coordenador clínico de uma ONG especializada no cuidado a vítimas de violência doméstica.
Com dez episódios inéditos, a série também vai abordar temas como exorcismo e sadomasoquismo. Na trama, Carlo reencontra o seu entusiasmo pela profissão e seu desejo em ser terapeuta. Apesar de assumir o trabalho na ONG, ele não deixa de lado os pacientes da clínica, que agora divide com sua amiga Valentina (Claudia Ohana), além de se dedicar a outros casos envolvendo detentas de um presídio feminino, adolescentes de um colégio de classe alta, uma modelo internacional e uma jovem possuída pelo demônio.


Publicada em 4/10/2015 - O DIA

Segunda temporada de 'The Leftovers' estreia neste domingo no HBO

Rio - A segunda temporada de 'The Leftovers' estreia neste domingo, às 23h, no HBO, simultaneamente com os Estados Unidos. A série gira em torno dos habitantes da fictícia cidade Mapleton, em Utah, três anos após 140 milhões de pessoas – 2% da população do mundo – sumirem sem deixar rastros. Nesta nova temporada, com dez episódios, Kevin Garvey (Justin Theroux) decide largar o seu cargo de chefe da polícia da cidade para recomeçar sua vida no Texas com sua nova família. Enquanto isso, sua ex-mulher, Laurie Garvey (Amy Brenneman), resolve se desligar do grupo Guilty Remnant e se unir ao seu filho, Tom (Chris Zylka), que pode ter descoberto uma causa à qual se dedicar para ajudar a diminuir o seu sofrimento.


Publicada em 3/10/2015 - O DIA